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Sagrado leva o prêmio de melhor longa-metragem no É Tudo Verdade 2026
Sagrado, novo longa-metragem da cineasta Alice Riff, produzido pelo Studio Riff e coproduzido pela Estúdio Giz, levou o prêmio de melhor longa-metragem da competição brasileira de médias e longas da 31ª edição do É Tudo Verdade, tornando-se elegível para apreciação na categoria de documentário do próximo Oscar. O filme também levou o prêmio de melhor direção entregue pela APACI, Associação Paulistas de Cineastas.
Na justificativa do Júri, o longa ganhou o Prêmio: “por afirmar, com rara precisão, um cinema em que a política se inscreve na forma, no gesto e nas relações do cotidiano. Sem recorrer a artifícios, o filme sustenta, do título ao último plano, uma direção segura, rigorosa e profundamente consciente de seus meios. Ao escolher uma estratégia narrativa fundada na escuta, na observação e no respeito radical aos seus personagens, constrói uma experiência em que o invisível se torna presença sensível. A partir de um material de arquivo que prescinde de explicação, o filme se organiza em espiral até alcançar um plano-sequência final de grande potência, conduzido pelas vozes das crianças. Nesse gesto, simples apenas na aparência, o filme se afirma como uma obra de rara integridade, em que elaboração estética e potência política são indissociáveis. E afirma, com delicadeza e rigor, um cinema onde invenção, poesia e luta se tornam indissociáveis”.
Totalmente filmado dentro de uma escola pública em Diadema, na região do Grande ABC paulista, o documentário acompanha o cotidiano de professores e funcionários da instituição, observando de perto suas rotinas, desafios e relações dentro do ambiente escolar. A diretora passa um longo período filmando o mesmo espaço, suas dinâmicas, reuniões, conversas formais e informais. Quanto mais se aproxima – e persiste em compreender esse microcosmo – surgem mais questões que extrapolam aquela escola e ajudam a radiografar a comunidade que a cerca.
“Sem sair desse espaço e sem filmar as crianças, construo o ‘fora de campo’: o espectador imagina quem são esses alunos, essas famílias, o bairro em que estamos inseridos. O filme trabalha em um jogo entre o que se vê e o que não se vê. A intenção era olhar para o universo da escola e da educação pelo ponto de vista de quem está no chão da escola”, explica a diretora. Com a produção, Alice Riff volta ao ambiente em que rodou seu filme anterior, Eleições, onde acompanha a eleição de um grêmio estudantil pelo ponto de vista dos alunos. No novo filme, a diretora repete o gesto, mas sob a perspectiva de quem faz o espaço funcionar: professores e funcionários.
Premiada por seus trabalhos anteriores, como Meu Corpo é Político, a cineasta afirma que sua intenção não era ter um personagem principal nem se aprofundar na vida desses personagens, mas criar um retrato de um espaço em que eles são as peças fundamentais: “Sabemos pouco sobre eles. Só sabemos deles a partir do que eles falam deles nos espaços e situações de trabalho. Mas imaginamos. O filme é sobre uma escola, e como esse grupo ‘esculpe’ essa instituição. Para mim, Sagrado é um filme sobre o cuidado”.
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