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Adeus, Luiz Carlos Barreto!
Morreu nesta quarta (22) aos 98 anos o diretor Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão. Um dos mais importantes nomes do cinema nacional atuou como diretor, fotógrafo e produtor e criou a LC Barreto, uma das produtoras mais importantes do cinema brasileiro e que produziu clássicos. Ele estava internado desde o começo desta semana e estava com a saúde debilitada desde 2024 quando sofreu uma queda enquanto visita o Ceará, seu estado natal, para uma homenagem do governo estadual por sua contribuição ao cinema.
Nascido em 1928, na cidade do Sobral (CE), Barreto se mudou para o Rio de Janeiro aoos 19 anos quando conseguiu um emprego na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Três anos depois, ele passou a trabalhar no Diários Associados, inicialmente na revista “A Cigarra” e em seguida em “O Cruzeiro”, onde iniciou seu trabalho na fotografia. Antes, ele tinha trabalhado no jornal O Democrata, ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) até a extinção da legenda em 1947.
Em 1961, ele passou a ser correspondente em Paris do veículo e chegou a ingressar no IDHEC (Instituto de Altos Estudos Cinematográficos), mas ficou pouco tempo porque preferia a prática e usou o passe de correspondente para visitar estúdios cinematográficos.
Em sua volta ao Brasil, ele passou a mergulhar no cinema ao acompanhar as gravações do curta “Barravento”, de Glauber Rocha. No mesmo ano, convencido pelo cineasta, ele foi corroterista e coprodutor de “Assalto ao Trem Pagador”, dirigido por Roberto Farias. Com Glauber, ele participou da fotografia de “Vidas Secas” e “Terra em Transe”.
Em 1963, ele abriu a produtora LC Barreto e junto de sua esposa Lucy se tornaram o casal de produtores mais renomado do cinema brasileiro. Entre as produções que a empresa fez foi “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Garrincha, Alegria do Povo”, “A Hora e a Vez de August Matraca” (seu primeiro trabalho como produtor integral), “Bye, Bye Brasil”, “Memórias do Cárcere”, “Inocência”, “Menino do Rio”, além de “O Quatrilho” e “O Que é Isso, Companheiro?”, indicadas ao Oscar de Melhor Filme Internacional, respectivamente, em 1995 e 1998.
A produtora também foi importante para a defesa da produção do cinema brasileiro durante a ditadura militar e também da Embrafilme, distribuidora e órgão de fomento ao cinema brasileiro. Após a extinção da empresa pública em 1990, a LC Barreto também foi importante para a retomada do cinema brasileiro na segunda metade da década de 1990. Barreto foi engajado também em debates sobre o cinema nacional, como em 2019 quando ele participou da audiência pública no Supremo Tribunal Federal que julgou a ação da Rede contra um decreto do governo Jair Bolsonaro que alterava o Conselho Superior de Cinema.
Em 2019, ele foi retrato do documentário de Marcelo Santiago, “Barretão”, que contava sua história e a relação com o cinema, jornalismo e o futebol.
Além de Lucy, ele deixa os filhos Paula e Bruno e os netos Julia, Mariana, Lucas, João, Helena, Olympia, Gabriel, Camila e Felipe. Um dos filhos do casal, Fábio morreu em 2019 após dez anos em coma devido a um acidente pouco dias após estrear o longa “Lula, O Filho do Brasil”.
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