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Adeus, Silvio Tendler!
Silvio Tendler morreu nesta sexta (05) no Rio de Janeiro aos 75 anos. O documentarista se consagrou na produção de obras sobre personagens e momentos importantes da história do Brasil, o que tornou conhecido como o cineasta dos “sonhos interrompidos”. Ele foi vítima de uma infecção generalizada e sofria de neuropatia diabética, doença que prejudica o sistema nervoso há 10 anos. O velório ocorrerá no Cemitério Israelita do Rio de Janeiro neste domingo (07) às 11h.
O diretor nasace no Rio em 1950 e no fim da década de 1960 passou a se dedicar a obra cinematográfica através do movimento dos cineclubes. Em seus anos iniciais, produziu um documentário sobre a Revolta da Chibata após conhecer o marinheiro João Cândido, líder do movimento. Em 1970 buscou exílio no Chile e depois na França enquanto a ditadura militar brasileira vivia sua fase mais repressiva. Voltou ao Brasil em 1976 quando se tornou professor no curso de Comunicação Social na PUC e criou a produtora Caliban em 1981.
Em 1980, ele lança um longa sobre Juscelino Kubitscheck e João Goulart. “JK – Uma Trajetória Política”. No ano seguinte lançou “O Mundo Mágico dos Trapalhões”, que foi um sucesso com 1,3 milhão de espectadores. Em 1984, ele lançou “Jango”, sobre o presidente João Goulart e levou um milhão de espectadores.
Em 1992, ele fez o seu principal trabalho na televisão dirigindo a série “Anos Rebeldes” na TV Globo. Para o meio ele também produziu a série “Os Advogados Contra a Ditadura” exibido na TV Brasil em 2014 e o filme “Militares da Democracia” veiculado no ano seguinte pela emissora pública e o curta “O Brasil na Terra do Misha” exibido pela ESPN em 2013 na série “Memória do Esporte Olímpico Brasileiro”.
Dois anos depois produziu “Josué de Castro – Cidadão do Mundo” e em 1998, “Castro Alves – Vida de Poeta”. Antes, em 1996, ele produziu o telefilme “Conceção das Crioulas: Vestígios do Quilombo”, exibido por uma emissora de Pernambuco.
Em 2001, ele produz os dois primeiros de uma série de filmes sobre o geógrafo Milton Santos, que foi um dos principais críticos da globalização no mundo: “Milton Santos – Pensador do Brasil” e “Entrevista Completa de Milton Santos”, esta última para um sindicato de professores. No mesmo ano, ele lançou uma produção sobre o Carlos Marighella, “Retrato Falado de Um Guerrilheiro”.
Em 2003, Tendler lançou “Glauber o Filme – Labirinto do Brasil”, produção sobre um dos maiores cineastas brasileiros. No ano seguinte, ele produz “Milton Santos – Por Uma Outra Globalização” e em 2006, “Encontro com o Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá”.
Na década de 2010, Tendler produziu diversas produções, entre as mais famosas “O Veneno Está na Mesa” lançado em 2011 falando sobre o impacto dos agrotóxicos na alimentação e que ganhou uma segunda produção em 2014, além de “Agricultura Tamanho Família”, na “Trilogia da Terra” e “Haroldo Costa – O Nosso Orfeu” sobre a trajertória do sambista e ator. Ele também lançou o segundo título de “Caçadores da Alma”, desta vez em forma de seriado, sobre fotografia e que também foi produzido em 1988 em formato de longa-metragem.
Em maio, ele foi homenageado com a Medalha de Mérito da Ordem Cultural. Além de cineasta, ele foi diretor do Centro Cultural Oduavaldo Vianna Filho, o Castelinho do Flamengo, em 1993 e entre 1995 e 1996 foi Secretário de Cultura e Esporte do Distrito Federal.
Ele deixa esposa, Fabiana Versasi e a filha, Ana Rosa Tendler.
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