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Cinema

Crítica: A Semente do Fruto Sagrado

Lucas Furtado

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Um filme doloroso, impactante e necessário. Esta frase pode definir muito bem A Semente do Fruto Sagrado que tem direção de Mohammad Rasoulof e é o representante da Alemanha no Oscar.

O longa é uma história de ficção, mas baseada em uma história de sofrimento que muitas mulheres iranianas sofreram e sofrem até hoje. Por retratar uma realidade dura de um país que valoriza a cultura patriarcal em seus costumes, ele não é candidato do Irã. A história trata de paranoia, machismo e da luta pelas mulheres em viver dignamente e em paz.

O longa se passa em meio uma crise política em Teerã após a morte de uma jovem e retrata um juiz de instrução que vive com sua esposa e filhas. Ele entra em uma paranoia que o leva a loucura quando sua arma de instrução desaparece e suspeita delas por esse sumiço e acaba desenrolando em um trágico conflito familiar.

Longa mistura ficção com imagens reais da repressão do Teerã que não seguem as regras locais impostas as mulheres (Foto: Divulgação)

Por mais que ele seja uma ficção, ele traz ligações profundas com a realidade. Durante a produção, há imagens de mulheres sendo violentadas e agredidas da polícia da moralidade do Irã por não seguirem as regras islâmicas impostas as mulheres. São imagens fortes e que mostram a realidade que muitas sofrem no país em sua luta para serem livre e do jeito que elas quiserem.

A inclusão de cenas reais ao longo da produção é um grande diferencial que leva o público a reflexão sobre a realidade de muitas iranianas e o machismo presente na sociedade global. A desconfiança do protagonista com sua família, composta por mulheres, retrata essa triste postura presente em todo o mundo, mas que ganha um impacto maior em países teocratas.

Longa tem direção de Mohammad Rasoulof que também assina o roteiro (Foto: Divulgação)

A história tem uma construção muito impactante e que consegue alcançar os seus objetivos. A montagem é eficiente em mesclar ficção e realidade em prol de trazer uma situação que afeta a vida de mulheres no Irã de uma maneira muito fidedigna.

Mesmo tendo duas horas e 44 minutos, a história prende o espectador e também é aliado a um roteiro bastante duro e compatível com os objetivos da produção. É tecnicamente perfeito.

As atuações também são bastante compatíveis e adequadas ao filme e destaco aqui a Soheila Golestani que interpretou Najmeh, esposa de Iman (Missagh Zareh) e Mahsa Rostami e Setareh Maleki que são as filhas Rezvan e Sana. Atuações que são de muito destaque e qualidade em um filme tenso, com um final impactante e com uma história de muito impacto.

A Semente do Fruto Sagrado tem tensão a todo instante e uma crítica bastante contundente sobre como o Irã trata as mulheres. O sofrimento de muitas acontece até hoje e o filme retrata de maneira bastante precisa. É um filme que mexe com o espectador em uma história impactante.

Filme é o representante da Alemanha na disputa para o Oscar de melhor filme estrangeiro (Foto: Divulgação)

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