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De Carine Wallauer, documentário Copan estreia nos cinemas em 28 de maio

Lucas Furtado

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Do alto, suas curvas sinuosas contrastam com os múltiplos ângulos retos da paisagem de São Paulo. De frente, impressiona pelos 115 metros de altura — a maior estrutura de concreto armado do país. De dentro, revela a  diversidade e as diferenças entre mais de 5 mil moradores. É esse retrato que a diretora Carine Wallauer constrói em Copan, documentário que estreia nos cinemas brasileiros em 28 de maio, com distribuição da Vitrine Filmes.

Vencedor do É Tudo Verdade, o maior festival de documentários do país, na categoria de Melhor Filme Brasileiro, o longa foi também o único representante latino-americano na competição oficial do CPH:DOX 2025, um dos principais festivais do gênero no mundo. Nas palavras da diretora, “Copan é uma profunda jornada observacional que se desenvolve em narrativa intimista. Enquanto as engrenagens da vida cotidiana se movem no que vemos, o som nos lembra que dentro de cada indivíduo pulsa um mundo de sensações e pensamentos. E o edifício se revela, ele mesmo, uma entidade viva”.

O longa é o trabalho de pessoas que conhecem o prédio a fundo. Wallauer, por exemplo, viveu no edifício durante sete anos, experiência esta que permitiu à diretora acesso privilegiado aos bastidores e às pessoas que circulam no prédio todos os dias. A produtora Viviane Mendonça, assim como o DJ KL Jay (o lendário DJ do Racionais MC’s), responsável pela trilha sonora ao lado dos filhos DJ Will e DJ Kalfani, também moram no edifício há anos.

Concebido por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1966, no coração da Avenida Ipiranga, o Copan é o maior condomínio residencial da América Latina e funciona, no filme, como um microcosmo do Brasil contemporâneo. Mas, se o edifício se impõe como símbolo, são seus bastidores que interessam ao filme. Ao privilegiar o cotidiano dos cerca de 104 funcionários responsáveis por manter o edifício em funcionamento, o documentário desloca o olhar tradicionalmente voltado aos moradores e propõe outra chave de leitura: são essas rotinas, muitas vezes invisíveis, que sustentam e revelam a vida em comum no prédio.

A produção chega aos cinemas em um momento político próximo àquele registrado pelas câmeras ao longo dos anos de filmagem: um período em que, como o atual, um Brasil polarizado politicamente voltava às urnas para decidir quem comandaria o país nos anos seguintes. Uma rachadura que reverberava, como hoje, nos mais diversos níveis de relações sociais, inclusive, dentro do próprio edifício, que também atravessava uma eleição acirrada para a escolha do síndico. Um reflexo que ainda se mostra muito atual diante da fragilidade democrática que se mantém no país.

No meio desse processo surge uma das figuras mais fundamentais e controversas da história do Copan, Affonso Celso Prazeres de Oliveira, que comandou o prédio com mão firme por mais de três décadas, e faleceu recentemente, em dezembro de 2025, aos 86 anos.

Ao acompanhar o cotidiano do edifício, com seus 32 andares, 1.160 apartamentos e mais de 70 estabelecimentos comerciais, o documentário revela as tensões, negociações e formas de convivência que atravessam esse espaço coletivo. Mudanças recentes, como o avanço das locações de curta duração por plataformas como Airbnb, intensificam conflitos e ajudam a evidenciar transformações que representam — e ultrapassam os limites do prédio, como a crise da moradia, a especulação imobiliária e a gentrificação no Centro de São Paulo.

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