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De Carla Camurati, Raízes do Sagrado Feminino estreia no Rio em 21 de maio e terá pré-estreia nesta segunda (04); longa está em cartaz em SP

Lucas Furtado

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Em um momento histórico em que as discussões sobre igualdade de gênero, direitos das mulheres e liberdade religiosa ocupam o centro do debate público global, Raízes do Sagrado Feminino propõe uma investigação profunda, sensível e necessária. E se a desigualdade entre homens e mulheres não fosse apenas cultural — mas sagrada? Em Raízes do Sagrado Feminino, Carla Camurati investiga uma pergunta incômoda: como as escrituras das cinco maiores religiões com escrituras do mundo moldaram — e ainda moldam — o lugar da mulher na sociedade?

Hinduísmo. Budismo. Judaísmo. Cristianismo. Islamismo. Textos milenares, escritos por homens, interpretados por homens, institucionalizados por homens. E quem escreveu o destino das mulheres?

O filme entrou em cartaz em São Paulo dia 23 de abril, no Espaço Petrobras de Cinema, e no Rio de Janeiro chega aos cinemas dia 21 de maio, no Estação Vivo Gávea. A pré-estreia na capital carioca será na próxima segunda (04), no mesmo local.

O valor equivalente ao arrecadado com os ingressos das pré-estreias será repassado para o Levante de Mulheres Vivas de São Paulo, organização nacional que reúne milhares de manifestantes em diversos estados do Brasil contra a escalada de feminicídios, exigindo leis mais rigorosas, proteção efetiva e o fim da violência de gênero.

O documentário atravessa séculos de história e chega ao presente para revelar como narrativas consideradas divinas foram usadas para justificar silenciamentos, submissões, exclusões e, em muitos contextos, violências estruturais que atravessam gerações. “Não se trata de atacar a fé. Trata-se de questionar as interpretações”, diz Camurati.

Entre entrevistas com pesquisadores, líderes religiosos das várias religiões, historiadores e vozes contemporâneas do pensamento feminino, como Monja Coen, Rabina Kelita Cohen, Nilton Bonder, Mary Del Priore e Ivone Gebara, o filme expõe contradições profundas: como conceitos espirituais se transformaram em estruturas culturais, sociais e políticas que ainda reverberam com força no presente.

Sem julgamento simplista e sem neutralidade ingênua, o documentário propõe uma reflexão profunda: até que ponto a construção do sagrado contribuiu para a dignidade feminina — e em que medida ajudou a consolidar hierarquias de poder?

Segundo a diretora do filme, Raízes do Sagrado Feminino não oferece respostas fáceis. “Ele confronta. Provoca. Desestabiliza. E levanta uma hipótese inquietante: a estrutura simbólica que sustenta o patriarcado pode ter sido sacralizada”, afirma. 

Ao revisitar textos fundadores, o filme propõe uma reconstrução — não da fé, mas da narrativa. Porque talvez a pergunta mais importante não seja “o que as religiões dizem sobre as mulheres”, mas sim: quem ganha quando elas permanecem em silêncio?

Neste momento histórico de recrudescimento de discursos conservadores e aumento dos índices de violência contra a mulher em diversas partes do mundo, Raízes do Sagrado Feminino surge como um filme urgente.

Entre história, fé e contemporaneidade, o documentário convida o público a revisitar a origem simbólica das desigualdades e ajuda a repensar o futuro do feminino no mundo. 

“Raízes do Sagrado Feminino não pretende dividir. Pretende iluminar. Porque compreender as raízes é o primeiro passo para transformar o futuro”, diz Camurati.

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