Cinema
(Festival do Rio 2024) O Efeito Casa Branca
Tendo como premissa o aumento da temperatura do Planeta Terra – um tema super atual -, o documentário “O Efeito Casa Branca” revisita a administração do Presidente George Bush “Pai” (1989-1993), apontando-a como sendo um dos marcos iniciais da crise climática que enfrentamos nos dias de hoje. Sem apelar para o recurso de narração em off, apenas utilizando reportagens da época e documentos que se tornaram públicos posteriormente, os diretores detalham como a Casa Branca lidou com a questão ambiental nesse período, apresentando os eventos de maneira cronologicamente difusa – ora avançando, ora retrocedendo no tempo.
O ponto de partida de “O Efeito Casa Branca” é 1988, o primeiro ano em que foi registrado o aumento da temperatura global — também um ano eleitoral, no qual o presidente Ronald Reagan estava no final de seu segundo mandato, e seu vice, George Bush, estava em plena campanha. Já nesse momento, o filme sugere o que seria a tônica do governo Bush: afirmar preocupações ambientais, mas sem se comprometer com ações concretas. Bush, um político fortemente ligado à indústria petrolífera, nunca demonstrou um real interesse em trabalhar pelo meio ambiente. O filme explora como o presidente pagou cientistas para que eles fossem a público negar o aquecimento global – algo que remete aos negacionistas da pandemia de Covid-19, que vimos em ação em 2020.
O ápice do documentário em mostrar como a administração Bush foi nociva ao meio ambiente se dá ao destacar dois eventos globais importantes: uma conferência ambiental na Holanda e, principalmente, a ECO 92 no Rio de Janeiro. O filme mostra como o presidente norte-americano hesitou em comparecer à ECO 92, apesar da confirmação de presença de praticamente todos os líderes mundiais, o que gerou enorme pressão da mídia americana pela sua participação. E também aponta Bush como responsável pelo fracasso do encontro, mostrando como os EUA demoraram a assinar um acordo pelo meio ambiente, o que atrasou em muito tempo os esforços globais para reduzir a poluição no planeta.

No entanto, o documentário “passa pano” para os EUA no que se refere à Guerra do Golfo, abordando-a de forma superficial, utilizando-a como um mero cenário contextual do período. O filme não emite qualquer juízo de valor, ou sequer explora a relação entre as forças político-econômicas envolvidas na guerra e a administração Bush-Pai.
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