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IC Play celebra 5 anos de existência com mostras com produções do Olhar de Cinema e Mostra Ecofalante
No mês de seu aniversário, a Itaú Cultural Play (IC Play) recebe seleções de curtas-metragens de dois importantes festivais do circuito nacional. Entre 12 e 26 de junho, a plataforma exibe produções da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema. A seleção reúne obras do Concurso Curta Ecofalante, iniciativa de incentivo a profissionais do audiovisual em início de carreira. De 14 a 28 de junho, entram em cartaz filmes da 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Os curtas-metragens integram as mostras Competitiva Brasileira, com produções de diferentes regiões do país, e Mirada Paranaense, dedicada a cineastas radicados no Paraná. Plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema brasileiro, a Itaú Cultural Play completa cinco anos no Dia do Cinema Brasileiro, em 19 de junho.
Em comum, as programações apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea, reunindo documentários, ficções, animações e obras experimentais produzidas em diversos estados do país. Entre questões ligadas a pertencimento, gênero, memória, comunidade, cultura e transmissão de saberes, os filmes revelam a diversidade de narrativas, formatos e perspectivas que atravessam o cinema nacional atual.
Em cinco anos de atividade, a Itaú Cultural Play já disponibilizou 1.863 produções e mantém atualmente um catálogo com 559 títulos. Ao longo desse período, a plataforma também ampliou sua rede de parcerias, somando 29 festivais de cinema e alcançando produções de todos os estados brasileiros. Atualmente, ela oferece ao público 21 mostras em cartaz, reafirmando seu compromisso com a difusão, preservação e valorização da diversidade do audiovisual nacional.
Mostra Ecofalante
Integrantes do Concurso Curta Ecofalante, iniciativa voltada ao incentivo da produção audiovisual brasileira realizada por estudantes de universidades, escolas técnicas e cursos livres de cinema, os filmes exibidos na IC Play abordam questões relacionadas a pertencimento, gênero, comunidade e cultura, entre documentários e ficções.
Em Um gosto assim (DF, 2026), de Helena Versiani, Laura enfrenta o luto pela morte do pai enquanto organiza os pertences deixados por ele. Ao descobrir um blog mantido em segredo, ela passa a conhecer aspectos desconhecidos da vida de Inácio, incluindo uma relação amorosa com outro homem, iniciando um processo de reconciliação com sua memória.
O documentário Desfem (SP, 2025), dirigido por Manoella Fernandes e Polyana Santos, questiona as convenções da feminilidade a partir dos relatos de duas mulheres desfem (mulheres que não performam feminilidade), que compartilham experiências e os estigmas enfrentados em função da forma como se vestem e se apresentam socialmente.
Em Trago seu amor de volta (SP, 2026), de Raíssa Santos, Raimunda encontra cartas de amor escritas por sua mãe falecida que nunca chegaram ao destinatário. Ao lado da amiga Cora, que também atravessa um processo de luto, ela parte em busca da pessoa para quem as mensagens foram destinadas.
O drama Ambivalência (RJ, 2025), de Natacha Maria Oliveira, acompanha Lia, uma paciente psiquiátrica que, enquanto espera por uma consulta, decide abandonar o tratamento. Sua acompanhante, Maria, tenta convencê-la a permanecer e seguir o atendimento.
Em Mares de sabedoria (PE, 2025), dirigido por Ainoã Oliveira, Ana, Danilo, Dudoca Suricato, Felipe Araújo e Gleibison Santos, estudantes de famílias ligadas à pesca artesanal em Porto de Galinhas, Pernambuco, participam de um processo de realização audiovisual que registra saberes, tradições e modos de vida transmitidos entre gerações.
O documentário Da aldeia à universidade (TO, 2025), de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo, acompanha as experiências dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente ao deixarem suas aldeias para ingressar no ensino superior, abordando os desafios e conflitos culturais vivenciados nesse percurso.
Em Mestrinhos (SE, 2025), de Luwdge de Oliveira, a narrativa acompanha mestres e mestras da cultura popular sergipana reconhecidos pela Universidade Federal de Sergipe com o título de mérito universitário em Saberes e Fazeres, valorizando conhecimentos ancestrais e práticas tradicionais.
Encerrando a seleção, Mukondo, da vida após a morte, Maria de Silú (BA, 2025), de Fernanda Souza, registra a importância dos rituais fúnebres no Candomblé a partir da memória de Maria de Silú, Mameto do Nzazi Kavuungo. O documentário apresenta a compreensão da morte como continuidade da vida e como forma de renascimento nas comunidades praticantes das religiões afro-brasileiras.
Olhar de Cinema
Entre documentários, animações, dramas, ficções científicas e obras experimentais, a seleção de obras exibidas na IC Play atravessa temas ligados à espiritualidade, ancestralidade, identidade e memória. Reunindo filmes das mostras Competitiva Brasileira e Mirada Paranaense, o recorte apresenta diferentes narrativas e perspectivas do cinema nacional contemporâneo.
Abrindo a coleção da Competitiva Brasileira, em Marimbã está acontecendo (CE, 2026), de Maryn Marynho, o pensamento de Marimbã percorre sonhos pelas águas, tecendo relações de afeto para pessoas de corpos dissidentes. A animação aborda questões como trans parentalidade, redes de apoio, infância, envelhecimento e espiritualidade, e imagina futuros possíveis para pessoas trans.
A animação O segredo sagrado (MG, 2026), de Everlane Moraes, acompanha duas nações inimigas que aguardam há séculos pela revelação de um segredo divino. Quando a princesa Sikán é escolhida para receber essa revelação e acaba injustiçada pelos homens de ambas as comunidades, o mundo mergulha em uma noite eterna.
Por fim, em Pinguim de doce de leite (GO, 2026), de Ana Vitória Miotto Tahan, uma criança de 10 anos, chamada Caju, passa sua primeira madrugada acordada ao lado dos amigos de seu tio, Tiago. Ambientado em uma noite comum em Goiás, o filme acompanha a formação de memórias que marcarão a vida da personagem.
Na coleção da Mirada Paranaense, Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid? (PR, 2025), dirigido por Gustavo Caboco Wapixana, parte das histórias do povo Wapixana sobre Duwid, nome dado a Makunaima, um dos seres criadores do mundo. No filme, uma estudante universitária conversa com sua avó sobre narrativas que raramente circularam entre os povos indígenas.
Em Enluarada (PR, 2026), de Pedro Nascimento, Lucília busca tranquilidade sob a luz do luar, mas passa a enfrentar manifestações intensas de seu subconsciente, que a levam a procurar novas formas de enxergar a própria vida.
O drama Estrelas terrestres (PR, 2025), de Rafael Neri M. Ferreira, acompanha Miguel, um jovem do interior do Brasil que sonha em ser ator. Ao ser aprovado em um teste em uma grande cidade, ele precisa decidir entre perseguir seu objetivo ou permanecer ao lado das pessoas que fazem parte de sua vida.
Em Imunidade (PR, 2025), de Cândida Monte e Milla Jung, performances vocais e coreografias de palavras compõem uma narrativa experimental construída por mulheres artistas. O filme propõe reflexões sobre resistência e sobre a criação de outros modos de existência diante de processos históricos de silenciamento.
O documentário Las Vegas, Cuba (PR, 2026), de Felipe Lovo, acompanha um androide viajante que desembarca em uma Havana deserta em busca de Las Vegas, um cabaré mítico fundado por um guerrilheiro.
Em O caçador (PR, 2025), de Lucas Mancini, um trabalhador idoso do interior rural do Paraná enfrenta a fome enquanto segue os rastros de um misterioso cachorro preto para garantir sua sobrevivência.
Dirigido por Bea Gerolin, Reza para Baobabs – Um ebó de palavras para Ayomi e Zola (PR, 2026) acompanha os recém-nascidos Ayomi e Zola, que recebem seu primeiro ebó de palavras, uma oferenda ligada à proteção, à fé e à ancestralidade.
Na ficção científica Tornar-se ciborgue no interior (PR, 2026), de Louisa Savignon, Leo e Julia enfrentam problemas de fertilidade enquanto administram um sítio. A chegada das novas vizinhas Ava e Mia desencadeia tensões inesperadas entre os dois casais.
Encerrando a mostra, Yvyra’ijá Há Jate’í Reheguá – Os quatro guerreiros e o Jateí (PR, 2025), dirigido coletivamente por Arlene Benites, Géssica Martins, Jece Benites, Josias Kelvin, Josimar Benites, Jucieli Benites, Miqueias Cardoso e Talison Benites, acompanha Libóriom, guerreiro do povo Guarani que, já ancião, ensina seus netos a criar abelhas Jateí na aldeia onde vivem, em meio à luta pelo direito às suas terras.
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