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LatAm Content Meeting termina segunda edição com mesas sobre programação e grandes coleções e memória; 3a edição é confirmada para 2027

Lucas Furtado

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Após três dias, o LatAm Content Meeting encerrou a segunda edição na última quarta (15), confirmando a edição 2027O evento, que aconteceu pela primeira vez em São Paulo, reuniu mais 800 participantes entre produtores independentes, distribuidores e executivos de canais brasileiros e estrangeiros, com uma programação intensa de painéis, debates e palestras onde o foco principal foi o mercado de audiovisual de não-ficção na América Latina. Entre os presentes estiveram 80 tomadores de decisão dos principais canais de televisão e streaming do mundo. 

“Como imaginamos na primeira edição em SP, foram três dias intensos de muito trabalho. Espero que todos os participantes tenham conseguido aproveitar, fazer contatos, fechar projetos. O LatAm Content Meeting foi criado para ser um espaço de negócios, mas também de amizade, feito para as pessoas do mercado se encontrarem, conversarem, se conectarem e quem sabe trabalharem juntos. Um evento da Indústria, feito para a indústria. E tenham certeza: ano que vem tem mais”, disse Fernando Dias, presidente da LatAm Content Meeting.

As sessões de pitch foram uma das principais atividades do LatAm Content Meeting, e foram geridas por uma parceria com o Sunny Side of the Doc, maior evento internacional dedicado a documentários lineares e não lineares que acontece anualmente em La Rochelle, França. Os 18 projetos selecionados pelos maiores especialistas do setor foram divididos em três categorias dinâmicas – Natureza e Meio Ambiente, Investigações & True Crime e História. O projeto vencedor foi o documentário Herança, com direção da documentarista e jornalista Ana Aranha que assina a produção com Mariana Genescá, filme que acompanha a jornada da filha de um defensor ambiental morto por denunciar os impactos dos agrotóxicos na sua região

Último dia

A programação do último dia, teve o painel Apenas Uma Coprodução Poderia Contar Esta História, que reuniu produtores de diferentes partes do mundo. O público pode entender como parcerias estratégicas podem transformar projetos, ampliando a força criativa. Moderado por Amanda Groom (The Bridge), os produtores Paula Taborda dos Guaranys (Ginga Stories), Rafa Calil (Duo2) e Takahiro Hamano (GV Tokyo) compartilharam cases de sucesso, que foram realizados por meio de coproduções internacionais. Calil reforçou a importância da realização de coproduções no cenário atual e como ser aberto e saber escutar são cruciais. “Saber ouvir e somar com seus parceiros é fundamental quando se trabalha com coprodução. Como um produtor brasileiro no mercado internacional, é importante também continuar apresentando os projetos porque uma hora vão surgir as pessoas certas que querem apoiar e que confiam no seu projeto”.

Outro destaque foi a mesa Como Continuar Criando Uma Programação Relevante Em Um Mundo Dividido?, que contou com representantes de aquisições de canais públicos e privados para falarem sobre os desafios de criar projetos que engajam a audiência. Nomes como André Saddy, diretor de programação do Canal Brasil, Emma Hindley, editora de commissioning da BBC, e Mariana Seivalos, gerente de canais do Canal Futura, foram alguns dos participantes. A pluralidade de experiência de produtores e diretores e entender como os públicos mais jovens consomem esse tipo de conteúdo são pontos importantes para continuar criando peças documentais. 

Saddy comentou sobre o lançamento do projeto DOC Canal Brasil, seguindo o crescimento dos documentários no país. “Os streamings trouxeram uma nova forma de consumir documentários no mundo e eles estão ganhando seu espaço. O documentário passou a ocupar um lugar de acesso e a partir daí surge mais interesse, porém a partir disso vem muitos desafios. Como se produz esse olhar documental em um mundo tão dividido? No Brasil já passamos dessa fase. É algo muito mais teórico, pois também envolve uma questão política.”

Para encerrar a programação de painéis, aconteceu o debate Grandes Coleções e a Preservação Da Memória, mediado por Zico Goes, produtor criativo da Kromaki, e presença de Gabriela Queiroz, diretora técnica da Cinemateca Brasileira, Marco Antonio Coelho, diretor executivo da IMAGin, e Samuel Huh, head de distribuição de conteúdo do Grupo Abril.

A conversa destacou a colaboração entre arquivos, pesquisadores e produtores como essenciais para garantir que imagens históricas continuem a alimentar narrativas contemporâneas, preservar a memória coletiva e inspirar futuras gerações. “Além dos desafios de como manter e não perder esses acervos, temos um desafio cultural. O entendimento do que fazer a mais com aquela memória precisa começar com o roteiro. Hoje é muito visto como um facilitador para salvar a obra, por exemplo, dar mais qualidade visual, mas se isso acontecer a produção audiovisual vai fazer ganhar muito.”, comentou Coelho.

Zico Goes também aproveitou o momento para oficializar que, em uma parceria entre a Kromaki, a produtora Mira Filmes e o acervo Abril, será produzido um documentário sobre a MTV Brasil. A direção do projeto deve ser de Marina Person, que além de produtora e diretora de cinema, foi VJ da extinta emissora. 

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