Críticas
O Velho Fusca
Crítica O Velho Fusca
Por Andréa Cursino
O filme de Emiliano Rushel mexe com aquela lembrança afetiva daquele carro de família que atravessa anos na garagem da casa dos pais, avós e tios. Quem não tem na família um carro afetivo ? Tem gente que até dá nome para os carros. Se você se enquadra nesse grupo de pessoas, esse filme é para você. Se você gosta de filme sobre família, esse filme também é para você. E se você for alguém que é apaixonado por pelo carro alemão que atravessa gerações, moderniza os modelos, mas nunca sai dos corações das pessoas? Vai ter mais um filme de Fusca para colocar na sua galeria cinematográfica.
O filme é bom, divertido, o elenco está entrosado, mas tem uns probleminhas no roteiro. O que não impede de se divertir com a atuação de Tonico Pereira como um idoso sem trava na língua, o dono do Fusca.
A história de “Velho Fusca” mostra a família de Théo que é unida na ramificação, Théo (Caio Manhente), um jovem de 18 anos, seu pai Maurício (Danton Mello), sua mãe Elaine (Cléo Pires), Tio Beto (Rodrigo Ternevoy). Todos se dão bem, mas nem tudo são flores, o pai de Maurício e Beto, é o ponto destoante da família. Os filhos não falam com ele. Ele tem um fusca velho na garagem e o neto é a única pessoa da família que fala com ele. Théo quer que o avô dê o carro para ele, mas o avô diz que nada é de mão beijada, então, eles fazem um acordo, Théo limpa a casa e conserta o fusca. Nessa trajetória a limpeza da casa e o conserto do Fusca, vai fazendo um paralelo na situação de relacionamentos mau resolvidos entre vovô e seus dois filhos. A tentativa de Théo reaproximar a família, ele vai cada vez mais querendo entender o avô, qual é o problema e como ele ficou assim.
O vovô interpretado por Tonico Pereira que empresta seu carisma ao personagem rabugento, sempre mau humorado, e com conceitos ultrapassados. Ele é do tipo que fala o quer sem pensar se vai ofender ou magoar alguém. À medida que o filme vai avançando, conseguimos ver o lado bom que ele faz questão de esconder.
O roteiro tem uma proposta interessante, mas a construção tem algumas falhas como, um dos protagonistas é o vovô e não tem nome. Como assim, um personagem central e motivador da história não tem nome? Pois é, como o personagem é chamado o tempo todo de “Vovô” ?
O vovô é um acumulador e não limpa sua casa e não quer que ninguém mexa em nada. Principalmente em seu quarto. À Medida que Théo vai limpando a casa, o relacionamento deles vai melhorando também.
Uma pena a personagem Elaine interpretada por Cléo Pires, não foi muito bem aproveitada na trama. A relação dela com o filho poderia ter sido mais desenvolvida. É uma personagem interessante, mas o roteiro poderia ter aproveitado melhor, sabemos que a atriz tem muito potencial para fazer muito mais.
Outro ponto do roteiro que não funcionou muito bem é que Théo é um jovem de classe média e trabalha como lavador de pratos de um restaurante que o dono faz bullying com ele e a justificativa do roteiro é que Jeff, interpretado por Christian Malheiros tem ciúmes de outra funcionária do restaurante que nem é sua namorada. Parece uma tentativa de roteiro hollywoodiano, assim como a fuga do hospital. Apesar de ter problemas, o filme é divertido.
A direção de arte de Eliane Heringer caprichou na casa do vovô e merece atenção nos detalhes. O Fusca velho e quebrado que passa por um processo lento de restauração é um personagem à parte. Um modelo de 1976 de cor azul diamante que com certeza tem muitas histórias para contar. Os cenários também foram bem escolhidos.
A trilha sonora tem direção de Diego Timbó e parceria de composição de Dan Araujo, Guilherme Giglio e UCHA que juntos compuseram 9 canções que embalam o filme. Foram convidados os músicos Jorge Aragão, Teresa Cristina, King Saints, Luiza Martins, Zé Vaqueiro, Pericão de Pilares, Diogo Nogueira, Gabriel Nandes, entre outros. O foco das canções é samba e MPB e combina com a história criando uma identidade bem brasileira.
A edição de Fábio Lobanowsky precisa juntar todas as cenas e conectar essas três gerações e dar ritmo a elas. Isso ele faz muito bem.
Em resumo, a Fusquinha charmosa do vovô é uma estrela a parte e o filme de Emiliano Rushel é divertido.
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