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Primeiro longa sonoro de ficção feito no RS, versão restaurada de Vento Norte será exibido na Cinemateca Capitólio nesta sexta (19)

Lucas Furtado

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Primeiro longa-metragem sonoro de ficção produzido no Rio Grande do Sul, Vento Norte terá estreia da versão restaurada digitalmente em 4K com entrada franca em Porto Alegre. A exibição única da obra de Salomão Scliar será nesta sexta (19), às 19h, na Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 — Centro Histórico, Porto Alegre). Os ingressos poderão ser retirados na bilheteria do cinema a partir das 18h. 

 A première mundial do filme foi no Festival de Rotterdam, um dos maiores do gênero na Europa, em fevereiro. No Brasil, as primeiras projeções aconteceram nos dias 8 e 10 deste mês no festival Olhar de Cinema, em Curitiba, dentro da seção Olhares Clássicos. Filmada em Torres no início da década de 1950, a produção se caracteriza pela cuidadosa elaboração dos planos, pela exploração das possibilidades expressivas da fotografia em preto e branco — também assinada pelo diretor — e pela utilização de atores não profissionais no elenco. O resultado é uma obra de extraordinária plasticidade, fruto de uma rigorosa pesquisa formal do cineasta em torno dos contrastes entre o claro-escuro.

A trama se desenrola em uma pequena vila de pescadores, cuja rotina é abalada pela chegada de um misterioso forasteiro. A presença desse personagem irá despertar paixões e desencadear uma série de ações violentas entre os habitantes locais, conduzindo a um desfecho trágico. Em um cenário de contornos míticos, o protagonista é apresentado como um autêntico “homem fatal”, explorando a beleza e a sensualidade do ator Roberto Bataglin neste tesouro escondido do cinema nacional.

 A restauração digital de Vento Norte contou com financiamento da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e foi realizada por iniciativa da Cinemateca Capitólio em parceria com a Cinemateca Brasileira.

 A restauração do longa-metragem foi feita a partir de internegativo combinado em 35mm confeccionado e preservado pela Cinemateca Brasileira, de São Paulo. Esse material foi duplicado pelo Laboratório de Imagem e Som da instituição paulista a partir de uma cópia de difusão depositada em 1979 pelo próprio Salomão Scliar e que, atualmente, não apresenta condições de processamento. Os negativos originais são dados como perdidos e esse internegativo é, atualmente, a matriz de preservação da obra.

O processo de restauro ocorreu entre julho e dezembro de 2025 na Mapa Filmes e Link Digital, no Rio de Janeiro, sob a coordenação técnica de Débora Butruce. O material se encontrava em estado regular de conservação, apresentando riscos leves, fungos superficiais e problemas decorrentes da duplicação fotoquímica. O som apresentava ruídos e chiados intensos. Todos esses danos foram corrigidos na versão digital restaurada. Foram produzidos arquivos digitais destinados à preservação, difusão e acesso.

Vento Norte é o segundo longa gaúcho restaurado pela Cinemateca Capitólio. Em 2024, a instituição já havia recuperado Um é Pouco, Dois é Bom (1970), de Odilon Lopez, que também teve estreia no Brasil no festival Olhar de Cinema e já foi projetado em diversos países, como Argentina, Coreia do Sul, Portugal e Chile.

“A preservação do nosso patrimônio audiovisual precisa ser tratada como uma política de estado e não de governo. A repercussão internacional foi positiva em relação a essas restaurações. Um longa, até há pouco praticamente invisibilizado como Um é Pouco, Dois é Bom, voltou a circular e acaba de ser eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema um dos 100 filmes essenciais da história do cinema brasileiro, graças à recuperação em 4K. Outro fato a ser celebrado é a descoberta de que a protagonista de Vento Norte, Patrícia Diniz (nome artístico de Ione Stumpf Martimbianco) ainda vive, aos 92 anos de idade, e mora em Porto Alegre. Dona Ione, ao ver na imprensa matérias sobre o restauro, entrou em contato com a nossa equipe e pretende acompanhar as exibições do filme, passados 75 anos da sua estreia” comemorou Daniela Mazzilli, diretora da Cinemateca Capitólio desde 2019.

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