Connect with us

Notícias

Itaú Cultural Play recebe mostra Águas Correntes: Mulheres no Centro

Lucas Furtado

Published

on

A plataforma de streaming gratuita de cinema brasileiro Itaú Cultural Play exibe a nova mostra Águas correntes: Mulheres no Centro, com oito filmes da região Centro-Oeste, dirigidos por mulheres, que focam em trajetórias e experiências femininas. A programação se inspira no livro Águas Correntes – Mulheres no Audiovisual do Centro-Oeste, de Ceiça Ferreira, professora de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), e Lidiana Reis, coordenadora do Mercado SAPI (Mercado audiovisual do Centro-Oeste), roteirista e produtora — elas também assinam a curadoria da mostra. A publicação, uma coletânea com 25 textos, é um desdobramento do Prêmio CORA, criado por Lidiana, que visa promover a produção audiovisual feminina da região.

Das raízes regionais da música do rasqueado à luta de movimentos sociais por moradia em Goiânia, a mostra Águas correntes: Mulheres no Centro exibe longas e curtas-metragens que abordam temas diversos e trafegam entre o documentário e a ficção, incluindo produções infantis. Um deles é o longa-metragem Beatriz Vira Folhas (Mato Grosso, 2023), de Samantha Col Debella, que narra com delicadeza o amadurecimento de uma adolescente e conquistou, no ano de sua estreia, o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, no Mato Grosso.

Vozes poderosas nas telas

No curta-metragem voltado para crianças Dandara (Goiás, 2024), de Raquel Rosa, acompanhamos a jornada da personagem-título, uma menina que enfrenta o racismo no ambiente escolar. Com a ajuda de sua mãe, porém, Dandara redescobre sua força através da ancestralidade negra. A obra, que já foi exibida em vários festivais brasileiros, aborda temas como autoestima e pertencimento, convidando o público a refletir sobre infância e empoderamento.

O outro filme infantil presente na mostra é o longa-metragem mato-grossense Beatriz vira folhas (2023), dirigido por Samantha Col Debella. Ele também conta a história de uma garota, Bea, que passa um desafio no início de sua adolescência: a mudança de cidade e escola, no meio do ano letivo. Na casa nova, Bea encontra nos livros a chave para enfrentar mudanças e descobrir seu lugar no mundo. No ano de sua estreia, o filme conquistou o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, no Mato Grosso.

Com olhar afetuoso para a terceira idade, o curta-metragem de ficção A velhice ilumina o vento (Mato Grosso, 2022), de Juliana Segóvia, acompanha Valda, uma mulher preta e idosa que vive em Cuiabá, capital do estado. Desafiando os estereótipos de velhice e as críticas que sofre do filho e de um parceiro, Valda adora dançar lambada nos bailes, beber cerveja, se divertir com as amigas e se relacionar amorosamente.

Uma realização do Coletivo Audiovisual Negro Quariterê, o filme é inspirado numa pesquisa conduzida pela própria diretora a respeito dos bailes da terceira idade em Cuiabá e no poema homônimo do escritor português Fernando Echevarría. Contando com elenco e equipe de cineastas negros, com atores e não-atores, o curta-metragem foi contemplado pelo programa de apoio à arte Rumos Itaú Cultural 2019-2020.

A mostra Águas correntes: Mulheres no Centro ainda exibe cinco documentários. Me Farei Ouvir (Distrito Federal, 2022), de Bianca Novais e Flora Egécia, amplia a discussão sobre representatividade ao dar voz a mulheres que conquistaram espaço na política brasileira. A partir de depoimentos contundentes de figuras como Joênia Wapichana, Marta Suplicy, Benedita da Silva e Erica Malunguinho, a produção revela os obstáculos enfrentados num ambiente marcado por desigualdades e misoginia.

O longa-metragem A dama do rasqueado (Mato Grosso do Sul, 2017), por sua vez, percorre as memórias da cantora Delanira Pereira Gonçalves (1936-2022), a Delinha, ícone do rasqueado – gênero musical que se tornou símbolo do Mato Grosso do Sul. Entre músicas, histórias e relatos de Delinha e de especialistas, o filme resgata a trajetória de uma artista que marcou gerações e consolidou a identidade sonora da região. Com direção de Marinete Pinheiro, o documentário foi o vencedor da Mostra Sesc de Cinema, no Rio de Janeiro, em 2017.

O curta-metragem Cacica – a força da mulher Xavante (Mato Grosso, 2022) conta a história de outra importante figura, Carolina Rewaptu, considerada a primeira cacica do Brasil. A partir da trilha sonora da cantora e compositora mato-grossense Ester Ceregatti, esse documentário poético-musical perpassa a trajetória dessa que é uma sobrevivente de um dos maiores massacres do norte do Mato Grosso, nos anos 1960. Quando tinha seis anos, Carolina viu seus familiares e boa parte de seu povo serem retirados à força de suas terras e dizimados pelas forças da ditadura militar. A direção do filme é de Jade Rainho e dela própria.

A produção goiana Parque Oeste (2019), da diretora Fabiana Assis, também retoma um episódio brutal da história do país: a violenta desocupação do Acampamento Sonho Real, em Goiânia, em 2005. Ocupado à época por movimentos sociais que reivindicavam a justa posse do terreno, então entregue à especulação e ao abuso econômico, o local foi destruído por policiais que chegaram a assassinar líderes comunitários e desaparecer com seus corpos.

A partir do relato da líder comunitária Eronildes, o documentário reconstrói memórias e denuncia a persistência da luta por moradia digna, com a resistência feminina no centro. A potência e relevância do longa-metragem resultaram no Prêmio de Melhor Filme na Mostra Olhos Livres da 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2019.

Encerrando a curadoria, o público pode assistir a outro documentário sobre mulheres indígenas, Kuña Porã – Matriarcas Kaiowá e Guarani (Mato Grosso do Sul, 2012). Nele, a dupla de cineastas Fabiana Fernandes e Daniela Jorge João apresentam o cotidiano e a força das matriarcas que sustentam a vida nas aldeias e acampamentos do Mato Grosso do Sul. Anciãs, parteiras, rezadoras, artesãs, agentes de saúde e professoras, elas refletem sobre sua condição de mulheres indígenas dentro de suas comunidades e territórios.

Trending

Site Feito Pelo Grupo Cabana do Leitor © 2024. Todos os direitos reservados ao site © Cinema Para Sempre.