Cinema
Crítica “O Morro dos Ventos Uivantes”
O livro escrito por Emily Bronté, lançado em 1847, foi o único livro dessa escritora. Isso porque foi muito criticada no século XIX e hoje se tornou um clássico da literatura inglesa. A história de amor entre Catherine e Heathcliff ganhou muitas versões para o cinema e TV ao longo dos anos e cada país que levou a história para os cinemas assumiu a história como uma versão trocando nomes e ambientação para se aproximar mais de seu público. Ser uma versão ou uma inspiração é aceitável. Muitos livros inspiraram novas histórias.
Agora em 2026, os fãs do livro aguardavam essa versão dirigida por Emerald Fennel e a curiosidade em como ficaria essa história com os recursos tecnológicos de hoje. Posso dizer que o filme tem alguns pontos positivos, mas muitos pontos negativos, o que é uma pena.
É importante entender que quando um filme é planejado, primeiro precisa definir se é uma adaptação do livro ou é apenas uma inspiração. A adaptação segue o livro em sua essência, preservação dos personagens com nomes, descrição, linha narrativa e a história. Já uma inspiração pega a ideia e pode deixar a criatividade voar, mas com um detalhe, o nome precisa ser outro.
O título tem aspas, o que não muda muito. E é nesse ponto que Emerald Fennel pega o caminho errado e deixa essa versão de O Morro dos Ventos Uivantes perdido.
Ela mudou a história, eliminou personagens, transformou personagens e mudou o final do livro. Para quem nunca leu o livro, talvez não faça diferença por não conhecer a história, mas é bom saber que vai encontrar um filme que não representa em nada o livro da qual ela está vendendo seu peixe.
O filme começa com uma cena grotesca. À medida que o filme avança, parece uma versão erótica de uma fã, como aconteceu quando uma fã de “Crepúsculo” resolveu escrever “Cinquenta Tons de Cinza”. O que deveria ser uma grande história de amor, foi reduzida a uma paixão doentia. Muitas cenas de sexo, mas cenas românticas ficaram escassas. Ficou restrita aos personagens quando eram crianças.
O elenco conta com ótimos atores e atrizes, mas que acabam transformando seus personagens em outro personagens. Para começar, o casal principal é interpretado pelos australianos Margot Robbie e Jacob Elordi. Qualquer diretor adoraria ter esses atores em seus projetos, mas Margot Robbie já passou da idade da personagem e Jacob Elordi é branco e o personagem do livro é cigano de pele escura. É assim que Heartcliff é descrito no livro e ele deveria ter suas características respeitadas. As crianças que os interpretam são os pontos fortes do filme. Cathy é interpretada por Charlotte Mellington que faz sua estreia no cinema, e Heartcliff é interpretado por Owen Cooper que já conhecemos como a estrela da série “Adolescência”. O jovem mostra que nasceu com um talento para atuação impressionante. No caso de Owen,
O marido de Cathy, Edgard no livro e Branco e loiro, no filme é interpretado pelo ator britânico Shazad Latif, um ator de ascendência Paquistanesa, inglesa e Escocesa.
No livro ele tinha a irmã Isabella, nesse filme ela vira uma protegida de Edgard, interpretada por Alison Oliver. Os personagens retirados na versão para o cinema, são a mãe e o irmão mais velho de Cathy. O pai de Cathy, Mr. Earnshaw era bom com o menino no livro, Sra. Earnshaw e o irmão de Cathy, Hindley tinham ciúme do menino e o maltratavam sempre que podiam.
O filme tem um visual bonito, o figurino é esteticamente bonito, mas totalmente inadequado para época. Parece que a figurinista quis levar Cathy para um deslumbre de figurinos, mas usou muitos tecidos sintéticos que nem existiam naquela época. Os maxi colares exagerados em todos os figurinos não faz muito sentido. Até no vestido preto que Cathy vai ao enterro do pai, tem um crucifixo estilo Madonna dos anos 80. Os figurinos são lindos, mas inadequados para a trama. O que me surpreende é a figurinista é Jacqueline Durran, uma das figurinistas mais prestigiadas de Hollywood.
A direção de arte de Caroline Barclay é caprichada e nas cenas da casa dos Linton lembra a direção de arte do filme “Maria Antonieta”. A casa dos Earnshaw, O Morro dos Ventos Uivantes, era degradante demais. Poderia ser menos no início da trama e na fase da decadência, poderia ser como no começo.
A editora Victoria Boydell faz um bom trabalho na edição do filme, mas a diretora meio que repete recursos como Heartcliff saindo de uma bruma. Por mais que o trabalho da edição esteja bem-feito, a diretora poderia ter colaborado mais.
A trilha sonora Anthony Willis funciona bem, mas na cena final parece ter se perdido e tem uma música atrás da outra que não combina com os acontecimentos na tela.
No resumo, “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emerald Fennel não tem nada a ver com livro, mas se fosse um filme “inspirado em”, seria um filme melhor. Vamos aguardar o próximo filme da diretora e torcer para ser melhor.
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