Cinema
Crítica Anaconda
Um dos filmes mais divertidos do ano!
Em 1997, o diretor Luiz Llosa levou para os cinemas um thriller sobre o ataque de uma cobra gigante na Floresta Amazônica, a Anaconda. O elenco do filme agradou os fãs do gênero e tinham nomes que estavam se destacando na época como Ice Cube, Jennifer Lopez, Eric Stolz, Jon Voit, Jonathan Hyde, Owen Wilson, Kari Wührer, Vincent Castellanos e Danny Trejo.
É a partir desse ponto que o filme de 2025 começa. Quatro amigos de adolescência que eram fãs do filme, e tinham o sonho de fazer filmes, seguem suas vidas adultas com casa, trabalho, família. Apenas um deles perseguiu o sonho de fazer filmes em Hollywood. Até que eles se reúnem para comemorar o aniversário de Doug (Jack Black). Então, Ronald Griffin Jr (Paul Rudd), Claire Simons (Thandie Newton) e Kenny Trent (Steve Zahn) incentivados pela esposa de Doug, reveem um filme que eles fizeram na adolescência e acaba reacendendo a vontade de fazer um remake de Anaconda, o filme afetivo desse grupo de amigos. No filme original de 97, uma equipe de cinema vai para a Floresta Amazônica filmar um documentário sobre uma tribo shirishama, aqui a equipe quer fazer um filme sobre uma cobra assassina. Kenny entra em contato com Santiago (Selton Mello), um domador de cobras que passa a fazer parte da equipe.
Estrutura montada, elenco definido podemos ver as diferenças entre o thriller de 97 e a comédia 2025. Nem sempre remakes, filmes que querem fazer continuação ou contar uma história antes não dão certo. Nesse caso, o remake funcionou muito bem! O filme dirigido por Tom Gormican que também produziu e roteirizou em parceria com Kevin Etten seguiu um caminho inteligente e levou a mesma história a um outro patamar. Tanto funcionou que vale a pena assistir na versão original e na versão dublada que está ótima.
O fato de Tom Gormican também ser um dos produtores do filme, facilita desenvolver e executar sua ideia para chegar no resultado esperado. Para começar a escolha por trocar o gênero de thriller para comédia foi extremamente acertado. A história dos quatro amigos que são fãs de um filme e sonham em fazer filmes é o primeiro vínculo com os fãs de cinema, milhões de fãs já sonharam com isso, uns seguem e outros não. E isso é muito bem aproveitado no roteiro.
Outro ponto importante é o fato de o filme brincar com isso e não se levar tão a sério. Isso cria a conexão informal do público com a história e os personagens. Para fazer tudo isso funcionar o elenco escolhido foi acertado! O entrosamento da estrelas como Jack Black, Paul Rudd, Selton Mello, Steve Zahn e Thandie Newton, gera uma fluidez nas cenas. A diretora de elenco Rachel Tenner conseguiu unir atores que tem talento de sobra e fluidez em passear na comédia e no drama com a mesma facilidade. É ótimo assistir o talento de Selton Mello alcançando outros voos! Essa é sua estreia em Hollywood e pelo andar da carruagem, será o primeiro de muitos. Ele está espetacular como Santiago, o domador de cobras meio doidinho e muito engraçado.
Jack Black é o personagem que guia a história. Ele interpreta Doug que é o diretor do filme, um personagem extrovertido, mas um responsável pai de família, que é encorajado por sua esposa a realizar seu sonho. Está divertido como sempre. Em contraponto temos o Kenny interpretado por Steve Zahn que é o oposto do amigo. Atrapalhado e não tão responsável assim, ele é o diretor de fotografia, na verdade ele faz outras funções, já que eles são apenas cinco pessoas nesse filme. Paul Rudd é o astro do filme, assim como no primeiro filme que eles fizeram na adolescência. Griffin é um ator conhecido por já ter feito um papel na série S.W.A.T, mas infelizmente não consegue emplacar em Hollywood. No fim das contas, temos Claire que é a atriz do filme e ex-namorada de Griffin. Ela está divertida e imprime na Claire uma mulher igual a qualquer outra que está assistindo na sala de cinema. Que em um momento de nostalgia, se permite embarcar na jornada mais doida de sua vida após um divórcio.
O elenco ainda conta com uma personagem que os acompanha na viagem, Ana (Daniela Melchior). Ela meio que representa o personagem de Jon Voit na versão de 97, já que ela é uma personagem fora do programa da equipe de filmagem que embarca com eles rumo ao desconhecido, pra eles.
A versão original é ótima, mas a dublada pela Delart também é muito boa! Se tiver um prêmio para dublagem, posso dizer que “Anaconda (2025)” é um forte candidato. A direção de dublagem de Daniel Simões foi uma diversão a parte. Os dubladores escolhidos são os dubladores dos atores, Paulo Vignolo que dubla Jack Black a muitos anos e é uma das vozes mais divertidas da dublagem. Alexandre Moreno dubla Paul Rudd, Manolo Rey dubla Steve Zahn, Fernanda Barone dubla Thandiwe Newton, Jéssica Marina dubla Daniela Melchior e claro, Selton Mello dubla ele mesmo.
O jeito natural das falas dos personagens é um grande ponto positivo da versão dublada, que colabora na interpretação dos atores sem atrapalhar em nada a atuação original. Por sinal, esse time de dublagem escolhido por Daniel Simões, é de se respeitar, esses são nomes importantes na dublagem brasileira, e consequentemente, os melhores do mundo.
A tradução de dublagem de Bianca Daher foi eficaz em dar possibilidades de traduzir não apenas palavras, mas palavras com contexto que funcionaram bem no sincronismo labial e na naturalidade nas vozes dos dubladores.
O filme tem referências ao primeiro filme até mesmo o javali do primeiro filme, tem sua versão mais divertida nesse longa.
Não poderia faltar uma participação de honra e Ice Cube entra em determinado momento do filme para alegria dos fãs. Tem uma cena pós crédito com Jennifer Lopez que vale assistir. Na verdade, os créditos são bem legais e vale ficar até o fim.
A trilha sonora não poderia ficar de fora e David Fleming compôs uma trilha divertida. Tem uma canção “Snakeity Snake” cantada por Selton Mello composta por ele e David Flemming, e tem também “Doug’s Pitt” que David Flemming compôs com Jack Black. Também foi aproveitada na trilha sonora a canção “My Anaconda Don’t” de Nicki Minaj composta em 2014.
A fotografia de Nigel Bluck valoriza as imagens da floresta. Sabemos que as filmagens de “Anaconda” aconteceram em Queensland , na Austrália, por questões técnicas, financeiras e de segurança. As locações foram escolhidas também por serem bem parecidas com a Floresta Amazônica. Em Queensland existe estrutura do estúdio Village Road Show Studios, o que facilita também para toda estrutura de palcos, água, e infraestrutura de CGI para os Efeitos Visuais. Bluck valorizou as imagens e mostrou o que a natureza tem belo e realmente passa a sensação de estar na Floresta Amazônica.
Falando em efeitos visuais, os efeitos são bons e completam bem o filme.
A direção de arte de Steven Jones-Evans caprichou nos objetos de cena e o barco onde a trama acontece ficou lindo e com cara de hotel flutuante.
A edição da dupla Craig Alpert e Gregory Plotkin deixou o filme com bom ritmo de acontecimentos e agregou para os momentos diferentes no filme uma fluidez que nem se percebe 1h45m passarem.
Anaconda da versão de Tom Gormican é um dos filmes mais divertidos e saudosista desse ano. Ele brinca com as homenagens e referências e faz um trabalho sério ao levar para as telas de todo mundo um filme divertido, excêntrico, que vale a pena conferir em uma sala com boa projeção tanto de imagem, quanto de som.
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