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Crítica Devoradores de Estrelas
O filme dirigido por Christopher Miller e Phill Lord é um dos filmes mais bonitos do ano!
Esse longa é uma adaptação do livro homônimo de Andy Weir, o mesmo autor que escreveu “Perdido em Marte” e virou filme estrelado por Matt Dammon e dirigido por Ridley Scott. O que parece que Andy Weir tem potencial para criar obras literárias que se transformam em filmes de sucesso. Com certeza, “Devoradores de Estrelas” tem seu lugar ao sol no mundo do cinema.
A história contada no livro virou filme com o roteiro de Drew Goddard e dirigido pela dupla Christopher Miller e Phill Lord que mostrou uma harmonia nesse projeto. Um mergulho na alma do livro e no projeto de transformá-lo em um filme mostra não apenas um trabalho bem-feito, mas um nível de dedicação que faz com que o filme ganhe vida própria.
É claro que Livro e filme contam a mesma história, só que de formas diferentes, já que as linguagens são diferentes. É natural que ao mudar de linguagem algumas diferenças são necessárias, mas o que não pode mudar é a essência da obra, e essa está lá.
O roteiro criou uma dinâmica para caber nas 2h37m do filme, como criar o personagem Carl, interpretado por Lionel Boyce. Ele funciona como um apoio e uma motivação e uma segurança para Grace, interpretado por Ryan Gosling, a buscar uma forma de salvar a humanidade. Foi um ponto positivo no filme. No livro o tempo de Grace sozinho é maior, mas para o cinema isso atrapalharia o bom andamento do filme. Assim como a personagem Eva Stratt interpretada por Sandra Huller foi suavizada no roteiro para criar mais empatia. Mesmo assim, ela ainda continua com sua firmeza de propósito, salvar o universo a qualquer preço.
O elenco montado pela dupla Jeanne McCarthy e Nicole Abellera Hallman foi outro acerto do filme. Para começar a escolha de Ryan Gosling para interpretar Rylance Grace foi uma grande sacada, Gosling teve a oportunidade de desenvolver diversas camadas e uma linha de evolução do personagem em duas frentes diferentes, Grace no passado, antes de embarcar na missão espacial e Grace do presente que descobre sua jornada aos poucos ao recuperar sua memória lentamente. A solidão e a parceria, a amizade com Rocky é algo especial. A dupla de amigos inusitados entra para uma galeria de personagens do cinema com esse tipo de amizade como já vimos antes acontecer com Elliott e E.T em “E.T, O Extraterrestre” (1982), Willis Davidge e Jerry (Jeriba Shigan) em “Inimigo Meu”, Capitão Kirk e Spock de Star Trek e tantos outros, e agora temos Grace e Rocky.
Para interpretar Rocky, foi escalado James Ortiz, um designer de marionetes, marionetista, ator e diretor. Ele dá voz para Rocky na versão original. Já no Brasil, a voz ficou a cargo de Heitor Assali que fez uma bela dobradinha com Manolo Rey, a voz brasileira de Grace e o diretor de dublagem do filme.
As lembranças de Grace temos o restante do elenco: a atriz alemã Sandra Hüller (“Anatomia de Uma Queda” /”Zona de Interesse”) interpretando Eva Stratt, a toda poderosa para salvar o mundo da catástrofe. Apesar de ter sido suavizada no filme, vemos a frieza dessa espécie de “Dama de Ferro”. Hüller tem tarimba em interpretar personagens frias e calculistas. Foi interessante em mostrar uma personagem fria, calculista, mas que também faz parte dos habitantes desse planeta e não quer mostrar o que sente, mas o público percebe o sentimento, escondido em uma camada de frieza.
A cena em que ela canta “Sign of the Times“, do Harry Styles. É uma das cenas mais marcantes do filme. Ela não existe no livro, mas Ryan Gosling ouviu Sandra Hüller cantando e insistiu que incluísse ela cantando no filme. Foi a atriz quem escolheu essa música que casa como uma luva para a cena. Onde todos estão felizes celebrando a despedida antes de uma missão perigosa, ela simplesmente encerra o Karaokê ao cantar essa canção.
Lionel Boyce ganha um espaço no coração de quem assiste esse filme, seu personagem Carl foi uma aquisição para o filme, e foi sim, uma ótima ideia construir esse personagem. Não tem como não gostar dele. Ele interpreta o personagem Marcus da premiada série “O Urso”.
Outros nomes que estão no elenco, mas não estão tão desenvolvidos são Ken Leung que interpreta o astronauta Yao, Milana Vayntrub que interpreta Olesya Ilyukhina, Malachi Kirby que interpreta DuBois e Liz Kingsman que interpreta Shapiro.
Outro acerto é a estética do filme e a direção de fotografia de Greig Fraser (Duna, Duna: Parte2, Rogue One: Uma História Star Wars) ajudou a contar a história que se divide em presente e passado com muita eficiência. Na Terra, as lembranças de Grace tem tonalidades claras e na nave no espaço, tons mais escuros e alaranjados. O uso da fotografia aliado aos efeitos visuais criaram uma estética que cria uma identidade para o filme.
Agora podemos aguardar um forte candidato para indicação de prêmios de Efeitos Visuais. Os dois diretores fizeram questão de usar os efeitos práticos ao invés de encher o filme de CGI. Foram construídos cenários físicos, marionetes complexas para o alienígena Rocky, luzes e elementos reais. Isso sim, é um efeito especial de respeito! A criatividade dos efeitos práticos deixa o filme muito melhor e mais realista do que os efeitos feitos por CGI. É preciso entender que os efeitos de CGI servem para ajudar as obras ganharem vida. Aqui os efeitos digitais feitos pela A Industrial Light & Magic (ILM) serviram para ajudar os efeitos práticos.
A direção de Arte trabalhou os objetos de cena de forma interessante. As maquetes simples criadas por Grace como professor na sala de aula quando explicava para os alunos a matéria, e quando trabalhava com Carl para desenvolver o projeto para a missão.
A Trilha sonora do músico britânico Daniel Pemberton tem 38 músicas compostas por ele, além de 14 canções de diversos cantores: “Sign of the times” de Harry Styles, “Sunday Mornin’ Comin’ Down” de Kris Kristofferson, “Rainbows” de Dennis Wilson, “Pata Pata” de Miriam Makeba, “The Final Bell – Trilha sonora de Rocky Balboa” de Bill Conti, “E Cosi Per Non Morine” de Ornela Vanoni, “Let’s Call The Whole Thing Of” de Ella Fitzgerald, “Gracias a La Vida – Em Vivo” de Mercedes Sosa, “Stargazer” de Neil Diamond, “Wind Of Chance” Scorpions, “Po Atarau – Now is the Hour” de St. Joseph’s Maori Girls College, “Glory, Glory” de Ike & Tina, “El Amanecer” de Roberto Firpo e “Two of Us” (Remasterized 2009) The Beatles. Tudo funciona perfeitamente, mas o grande destaque é a canção de Harry Styles cantada por Sandra Hüller no karaokê dos funcionários da missão.
A Edição é a cereja do bolo. O editor Joel Negron teve a missão de montar todo filme fazendo com que ganhe a forma e o ritmo. O resultado é uma edição dinâmica de um dos melhores filmes do ano.
Vale a pena assistir “Devoradores de Estrelas” em uma sala com tecnologia de som e imagem.
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