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Crítica Michael

Andrea Cursino

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Empolgante, saudosista e uma bela homenagem ao Rei do Pop!

Michael Jackson nasceu para brilhar, mas sua infância não foi uma infância comum e já era um astro desde criança. Pena que sua infância foi roubada pela ganância financeira de seu pai.  

Nascido como Michael Joseph Jackson em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana, Michael é o sétimo dos oito filhos do casal Katherine e Joseph Jackson. Vamos ver um resumo da história do Rei do Pop, já que Michael Jackson foi pioneiro em algumas coisas, muitas de coisas que muita gente achava que sabia, assistindo o filme de Antoine Fuqua algumas lacunas são preenchidas.

Em primeiro lugar a missão entretenimento foi cumprida com louvor. O filme começa com música e acaba com música. Calma, não é um musical tipo “Os Miseráveis”. Os sucessos de Michael Jackson permeiam o filme nos momentos certos e é difícil não se animar com elas. A trilha sonora trabalha a memória afetiva da obra de Michael e não tem como não embarcar nesse filme sem se lembrar de cada música e sua importância para cada pessoa que gosta das músicas do Rei do Pop.

E como contar a história de alguém que tem muitas histórias ao longo de 50 anos de vida? O produtor Graham King, o mesmo de “Bohemian Rhapsody”, decidiu dividir o filme em duas partes. Para isso, o roteirista John Logan (“O Gladiador”, “O Aviador”, “007 – Operação Skyfall”) condensou a história do Michael desde sua vida no grupo musical da família “Jackson Five” até sua vida como o astro pop em sua carreira solo, mas ainda preso ao pai, e vai até o rompimento. Essa é a primeira parte da história. Vamos ver o resto quando chegar a segunda parte. Por enquanto só podemos analisar o que temos.

Não posso dizer se o roteiro de John Logan está corrido ou condensado demais ou se partes foram cortadas na edição. Na verdade, o maior problema desse filme está na edição. Quanto ao que pertence ao roteiro, ele já começa com o Jackson Five sendo uma banda conhecida pouco antes de entrar na Motown.

No filme somente seis dos dez irmãos estão na parte 1 do filme: Jackie, Tito, Jermaine, Michael, Marlon e LaToya.

Faltou mostrar como a vida do jovem Michael começou na música.  As passagens de uma fase para outra foram corridas. Só algumas pessoas que foram importantes para a história Michael estão nesse longa.

Mesmo assim, o filme de Antoine Fuqua é bom!  O diretor conhecido por filmes de ação, suspense e muitos vídeo clips tem uma boa estreia no gênero cinebiografia. Entre pontos positivos e negativos, “Michael” tem mais pontos positivos do que negativos.

Para começar o elenco foi muito bem escolhido. Os dois atores que interpretam Michael Jackson são talentosíssimos e encarnaram o personagem com muita precisão.

O jovem ator Juliano Krue Valdi, que acabou de completar 12 anos,  tem sua estreia no cinema como a maior estrela pop de todos os tempos na sua fase astro mirim. Ele esteve presente dublagem da animação “Arco” que estreou nos cinemas esse ano. Ele também dublou séries animadas, como ator teve uma participação na série “9-1-1”.

Sua estreia como Michael mostra que Juliano veio para começar uma brilhante carreira no audiovisual. Ele atua, dança e canta como o jovem Michael com perfeição. É impressionante como Juliano se torna Michael no jeito, na energia, e no carisma. Ele atrai a atenção para sua atuação como um imã. E quando está todo mundo preso a ele, o bastão é passado para Jaafar Jackson, o sobrinho de Michael Jackson que está tão espetacular quanto Juliano.

Jaafar foi muito bem caracterizado como o tio Michael, a natureza já se incumbiu em torna-lo fisicamente parecido com o tio. A caracterização foi um belo trabalho de equipe e ajudou muito Jaafar compor o personagem. O ator pegou a essência, o jeito e até fala e tornou real. É impressionante como a composição tanto de ator, como de cantor e como dançarino temos a sensação de estar vendo o Michael em cena. Para que todas as ferramentas que Jaafar precisava para se tornar Michael Jackson funcionasse harmonicamente, a produção se cercou de profissionais de peso no mercado. Figurino, Maquiagem e cabelo e nasce um Michael pronto para entrar em cena.

O figurino de Marci Rodgers recriou as roupas de Michael através das décadas e períodos importantes de sua fase que localizam o público qual fase de Michael Jackson estamos assistindo. Ela é uma figurinista que trabalha muito bem com essa viagem no tempo dos figurinos como podemos conferir no filme “Infiltrados na Khlan”. Esse banner mostra Michael em quatro fases diferentes e roupas diferentes que nos localiza onde estamos com o personagem.

Já a maquiagem assinada por  Bill Corso (vencedor do Oscar por “Desventuras em Série”) conta com uma equipe de peso que tem Ve Neill (Os Fantasmas Se Divertem) , Christopher Allen Nelson (Uma Batalha Após a Outra), Howard Berger (O Protetor) e Mark Garbarino (Vingadores Guerra Infinita) para criar e recriar a composição dos personagens.

No caso do Michael, tem prótese de nariz, perucas, cirurgia, queimaduras e o vitiligo que passa por alguns segundos na tela. Pena que não mostraram algo que foi muito importante na vida de Michael e interferiu muito em seu comportamento e em suas roupas e acessórios. O erro nesse caso foi da direção de Fuqua. Esse ponto não abordado, apenas mencionado poderia ajudar a entender o Michael e ajudar muitas pessoas que passam por essa doença.  Mas mesmo com uma menção, a maquiagem desse time de peso vale aplausos. Só Ve Neill recebeu 53 indicações de prêmios de cinema, venceu 16 e tem 3 Oscars por “Os Fantasmas Se Divertem”, “Ed Wood” e “Uma Babá Quase Perfeita”. A maquiagem não tem como trabalhar sozinha e os cabelos completam a composição. A chefe do departamento de cabelo, Carla Farmer cuidou para recriar os cabelos de Michael em diversas fases.

Assim como a caracterização do protagonista interpretado pelos dois atores, os coadjuvantes, elenco de apoio e figurantes estão todos muito bem caracterizados criando a sensação de realismo dos personagens ao contar essa história.

A direção de fotografia do filme criada pelo australiano-sul africano,  Dion Beebe  é interessante ao brincar não só claridade um pouco mais opaca, escuro com colorido, cenas com o brilho dos shows, mas nos ambienta nas épocas que se passam o filme. Isso vale muito durante a projeção, parece que estamos em um passeio pela carreira de Michael Jackson.

A direção de arte tem a difícil tarefa de recriar cenários e objetos de cena de cada época. Para essa Tarefa foram escalados uma dupla de feras: Eric Sundahl (Interestrelar) e Jason Perrine (Ford vs Ferrari). Eles recriaram a casa dos Jacksons, os palcos dos shows, os escritórios e cenários conhecidos pelo público. O mais difícil é que existe muito material de consulta disponível na internet para comparação. Não só quem viveu essa época tem acesso a esse material. A comparação que é inevitável e a exigência se torna ainda maior. Então, posso dizer que Sundahl e Perrine foram precisos com esse trabalho.

A dupla recriou na cena da gravação do clip “Thriller”, o set de filmagem com muita precisão, como foi feito em 1983 nesse “mini filme” dirigido por John Landis. Michael chamava clip de mini filme. O mesmo aconteceu com os outros palcos, e principalmente o palco do acidente com Michael na gravação do comercial da Pepsi.

Tecnicamente o filme se cercou de profissionais conceituados do mercado para fazer um filme que não apenas agrade aos fãs do artista, mas que alcançasse excelência ao contar essa história até mesmo para quem não conhece a história do Rei do Pop.

Artisticamente falando temos as músicas icônicas, empolgantes  e emocionantes. Temos atuações intensas como as de Juliano Krue Valdi (jovem Michael), Jaafar Jackson (Michael) e Colmon Domingo (Joseph Jackson) e temos boas atuações e mais intimistas de Nia Long (Katrerine Jackson),  KeiLyn Durrel Jones (Bill Bray) e Miles Teller (John Branca). Tem também a participação especial de Assia Fuqua, a filha do diretor como a namorada de Michael no Clip “Thriller”. Já Mike Myers interpreta Walter Yetnikoff,  presidente e CEO da CBS Records de 1975 a 1990, repete o mesmo tipo de personagem que interpretou em “Bohemian Rapsody”. Em “Bohemian Rapsody” ele interpretou Ray Foster, um executivo fictício da gravadora EMI. Mesmo assim, é sempre divertido assistir as atuações de Mike Meyers.

No fim do filme fica um misto de divertimento, reflexão sobre as relações humanas e a curiosidade para assistir a segunda parte de “Michael”.

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