Cinema
Crítica Avatar: Fogo e Cinzas
Crítica Avatar: Fogo e Cinzas
Tecnicamente impecável!
James Cameron é um diretor, roteirista e produtor conhecido por sua inovações e contribuições tecnológicas para o cinema. Quando em 18 de dezembro de 2009 ele conseguiu levar para as salas de cinema seu projeto pessoal mais revolucionário em tecnologia, “Avatar”, Cameron abriu caminho para que muitas outras obras ganhassem vida sem precisar levar 10 anos.
Em 2022, podemos conferir “Avatar: Caminho das Águas” que ganhou mais cores e uma camada a mais de tecnologia. A Fotografia se tornou mais clara e colorida que antes e o roteiro é muito interessante levando o público a uma nova viagem. E Cameron conseguiu encantar o público novamente.
Agora em dezembro de 2025, “Avatar: Fogo e Cinzas” tem uma qualidade técnica impecável, um efeito 3D impressionante, mas o roteiro não seguiu a mesma linha do outros filmes.
As cenas de ação são bem feitas e tem um bom ritmo, mas temos a sensação de assistir a mesma história do segundo filme.
Enquanto o roteiro do primeiro filme nos apresentava a história dos militares e cientistas explorando um novo mundo descoberto, Pandora, a abordagem sobre os exploradores que chegam a um paraíso com uma rica cultura e querem conhecer, explorar e tirar vantagem. Já o segundo filme falava de novos lugares e novos povos e culturas, era de se esperar que o terceiro filme continuasse nessa linha de raciocínio já traçada por James Cameron. Só que não!
A repetição no roteiro é o grande problema desse filme grandioso. “Avatar: Fogo e Cinzas” repete a mesma história do segundo filme. A família de Jake e Neytiri tem que mais uma vez sair do lugar onde vive para proteção. Desta vez, eles temem pela vida do menino Spider, que é filho do Quatitch, mas que foi adotado por Jake e Neytiri. Ele é humano como Jake e precisa de respirador para viver em Pandora.
Outro erro é a volta do Quaritch, interpretado por Stephen Lang que já havia morrido anteriormente. Além da volta, ficou chato ao trazer de volta o personagem colocando seu clone em um Avatar, ele ficou programado para eliminar Jake Sully, interpretado por Sam Worthinton. Parece o T1000 perseguindo Sarah Cornor em “Exterminador do Futuro 2”, outro filme de James Cameron. Nesse ponto ficou cansativo.
Mas, nem tudo são problemas, foi um acerto a construção da vilã Varang interpretada por Oona Chaplin. Ela foi bem construída e delineada. Ela sozinha já era suficiente. Não precisava do Quaritch, mas já que ele está de volta, a dupla do mal, se torna um casal do mal, e isso, meio que cai por terra o motivo do ódio do militar com Jake. Jake se apaixonou por Neytiri, interpretada por Zoe Saldaña, se casou com ela e resolveu viver em Pandora e formar uma família. Porque perseguir Jake se ele estava fazendo a mesma coisa?
Como se um não fosse suficientemente ruim, tem que potencializar unindo os dois vilões que juntos são como duas máquinas de destruição.
Uma pergunta fica na cabeça, Porque esse filme tem 3h20m? Não tem assunto suficiente para tanto tempo. Se esse filme tivesse 2horas ou até mesmo 2h20m seria suficiente para contar a história, ok, mas para 3h20m é necessário ter o que contar e infelizmente esse roteiro não tem. Não é uma questão de gostar ou não de filme com mais de 3 horas, é ter o que contar nesse tempo e nem sentir passar.
Mesmo assim, “Avatar: Fogo e Cinza” é um bom filme. A vantagem desse roteiro, independente dos problemas, é mostrar que nenhum lugar é perfeito e cada lugar tem seu lado bom e ruim. Não apenas os humanos são ameaças para Pandora. O povo das cinzas é um povo de Pandora e são violentos, sedentos por poder e adoram a destruição tanto quantos os humanos que buscam a mesma coisa.
O elenco é o mesmo só que dessa vez ganha o reforço de Oona Chaplin interpretando Varang. Ela está ótima e convence como uma vilã à altura de uma obra grandiosa. Sua rivalidade é com Neytiri de Zoe Saldaña. Os jovens atores também estão bem dirigidos, mas o destaque fica para Jack Champion que interpreta Spider. Ele entrega uma intensidade de sentimentos no olhar. É um personagem de uma doçura que tem um entrosamento com as pessoas que ama e muito inteligente e protetor. E ele tem mais destaque nesse filme.
A trilha sonora de Simon Franglen compõe bem a trilha, mas poderia ter menos grandiosidade durante a longa duração do filme. A grandiosidade é boa para alguns momentos e mais leveza pode suavizar a experiência, mas mesmo com esse detalhe, Franglen compôs uma boa trilha que combina com o filme.
Os efeitos visuais são com certeza o ponto forte do filme. O 3D tem um destaque positivo principalmente nos efeitos de água. Nunca vou esquecer da cena em que os filhos da família Sully estão na água e a sensação é de ver um aquário com uma realidade e profundidade impressionante. Vale muito a pena assistir em uma sala com tecnologia para aproveitar toda a experiência que esse filme tem para proporcionar.
Enfim, “Avatar: Fogo e Cinzas” pode não ser o melhor dos três filmes, mas é um bom filme que merece ser apreciado por quem é fã dessa saga e até por quem nunca assistiu Avatar.
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