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Cinema

Crítica Dia D

Andrea Cursino

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Crítica “O Dia D”

Por Andréa Cursino

Uma obra prima que levanta questões sobre a humanidade!

Steven Spielberg leva para as telas mais uma obra memorável!  Esse é o único cineasta da história do cinema que tem filmes em quase todos os gêneros. E agora ele volta a fazer um filme de ficção científica e suspense. Ele abordou ufologia, um tema recorrente em sua filmografia.

Esse não é apenas um filme de entretenimento, é um filme complexo com várias camadas para reflexão. Para isso, o cineasta se cerca de parceiros de longa data para dar vida a esse projeto extremamente importante.

Para começar, o roteiro é assinado por David Koepp a partir da ideia de Spielberg. Desta vez, Spielberg fez questão de levar para as telas investigações reais sobre extraterrestres conduzida pelos militares. E o mais  importante é chamar atenção para algo desconfortável, mas necessário, a crueldade humana que sempre entra em conflito com a empatia e a bondade. A crueldade, a ganância e a sede de poder são os verdadeiros perigos. Quanto mais distante da evolução moral, mais abre espaço para a extinção, já que esse é o caminho mais rápido para os elementos de extinção das espécies.

Além dessas e tantas reflexões vemos toques de referências de filmes anteriores de Spielberg, como “E.T, O Extraterrestre”, “Sinais”, Contatos Imediatos do Terceiro Grau”.

O filme começa apresentando as peças desse quebra-cabeças de 2h25m. Para dar vida a essas reflexões, a direção de elenco de Cindy Tolan é primorosa com atores e atrizes com ótimas atuações, em especial Emily Blunt, que interpreta a jornalista que fala sobre tempo em um telejornal local, Margareth Fairchild. Essa é uma das melhores interpretações de sua carreira. Ela passeia pelas várias nuances que a personagem apresenta. Temos uma forte indicada para a temporada de premiações. Ela torna Margareth única e especial e empresta seu carisma para a personagem que tem como um dos elementos mais fortes, o carisma.

Ela tem um namorado que é uma pessoa normal, Jackson (Waytt Russel), que não entende muito bem o que está acontecendo com a namorada. Em contra ponto a Margareth, temos Daniel Kellner interpretado por Josh O’Connor, que começa o filme sendo perseguido e tentando salvar a namora Jane, interpretada por Eve Hewson, do cruel Noah Scanlon, interpretado por Collin Firth. Essas são as peças centrais da trama, mas existem outras peças importantes para fazer a história e suas reflexões andarem. Entre personagens motivadores temos Hugo Wekafield interpretado por Colmon Domingo que é o mentor de Daniel. A irmã Maura, interpretada por Elizabeth Marvel é o elo de Jane, e levanta outros questionamentos, os religiosos.

E prestem atenção em um personagem que pode passar despercebido, o braço direito de Noah Scanlon, Casper Boyd, ele ajuda a manter a maldade e o foco dessa maldade no vilão. Esse é um personagem que pode passar como mais um funcionário obediente em volta do chefe, mas é um manipulador.

Enquanto Noah quer esconder a existência dos alienígenas, um grupo precisa divulgar não só a existência, mas como os alienígenas vem sendo tratados aos longo de quase 80 anos.

Spielberg proporciona um show de tomadas, cenas de perseguição e um visual que ajuda a contar essa história. A fotografia de  Janusz Kamiński tem variações para nos colocar exatamente onde cada cena precisa que estejamos. O premiado diretor de fotografia faz parte um time de veteranos do cinema que aproveita o longa para mostrar maturidade em seus trabalhos. Assim, como Janusz, a trilha sonora conta com um dos maiores parceiros de Spielberg, John Williams.

Williams  adotou uma trilha sonora mais sutil para ajudar a embarcar na história ao invés de se guiar o público somente pela emoção. A trilha tem uma combinação interessante de música com a essência de cinema clássico com modernidade da tecnologia de ponta. Com isso, a trilha tem um frescor das mistura do clássico com o moderno funcionando em equilíbrio para dar as sensações dos diversos momentos da trama.  A gradiosidade da trilha está presente na assinatura do mestre que conduziu 96 músicos entre cordas, sopros e percurssão e enriqueceu muito a trama.

A maquiagem foi elaborada para ser mais realista e valorizar as expressões, já que essa é a necessidade número 1 na caracterização dos personagens.

Os efeitos visuais seguem a mesma linha de sutileza e leveza para que a naturalidade seja o foco principal. O CGI foi pouco usado e sua função ficou restrita aos animais tão importantes na trama. O tom menos natural é perfeito para a proposta, já que eles não são realmente os animais que se apresentam para a dupla, Maggie e Daniel. Eles são mensageiros que se comunicam com Maggie e Daniel crianças e quando eles se tornam adultos.  

Depois de muitos filmes no cinema, série de TV e streaming falando sobre vida alienígena com abordagens das misturas entre ficção científica e diversos outros gêneros, esse filme pode cumprir com o papel de levar questões para pensar, o jeito novo de fazer cinema, presenvando a essência sem ignorar a evolução de como fazer.

É possível que a primeira vista, ele pode não ser bem recebido e pode causar estrenheza, mas tudo que é novo, assusta. Minha dica é, vale a pena assistir e rever para que observar o que não foi percebido de primeira.

Os elementos clássicos de jornada estão ali, mas com um jeito  mais moderno e naturalista de contar uma história.

A motivação de cada personagem trilhar seu caminho com obejtivo que pode não ser muito claro no início, mas com certeza ao chegar no fim da jornada, tudo faz sentido.

Agora ele nos deixa a pergunta, e se você soubesse que alienígenas são uma realidade ?  Quantas pessoas você conhece ou já ouviu falar que presenciou ou soube de manifestação alienígena?

No fim temos um filme que merece atenção como reflexão, como entretenimento, como observação artística, tecnológica e humana. Aproveitem a arte de fazer filmes!

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