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Cinema

Crítica O Conde de Monte Cristo

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Sara Sampaio

A nova versão da história O Conde de Monte Cristo, estrelada por Pierre Niney, tem roteiro e direção de Matthieu Delaporte e Alexandre de La Pattelière, os mesmos de Os Três Mosqueteiros, de 2023. No entanto, esta produção é bem diferente, funciona melhor e foi aplaudida por 12 minutos no Festival de Cannes.

É a história do jovem marinheiro Edmond Dantes que está prestes a se tornar capitão e se casar com a mulher amada quando é preso por um crime que não cometeu. Ele é enviado para a pior prisão da França, acusado de ser partidário de Bonaparte.

Ao fugir da prisão, 14 anos depois, Dantes tem por razão de viver a vingança. Procura o tesouro que um amigo prisioneiro lhe deixou e se torna o Conde de Monte Cristo. Junto com dois jovens, que também têm motivos para odiar os vilões, ele coloca em ação o seu plano.

Clássico da vingança

Um clássico da vingança, O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, já teve várias adaptações e versões em muitos países, como a série Revenge, nos EUA, e até novelas brasileiras, como O Outro Lado do Paraíso.

Algumas pessoas vêem semelhança entre o personagem clássico e Batman, os dois são homens ricos e amargurados, mestres do disfarce que usam sua fortuna para buscar o que consideram ser a justiça.

Somos convidados a refletir sobre a vingança e o perdão. A vingança pode destruir o próprio vingador? Mas não é tudo somente sobre vingança. Os preconceitos sociais, a diferença entre ricos e pobres, o amor romântico, a fé, a religiosidade. O Conde de Monte Cristo nos convida a refletir sobre estes e outros temas universais.

A versão 2024

O filme francês tem o mérito de levar a obra para o seu país natal. É a visão francesa de um clássico francês que retrata a cultura, os valores do país e mostra, ainda que sem fidelidade total, fatos da história da França misturados à ficção.

A fotografia é estonteante, belas imagens do mar, das florestas, dos ambientes rupestres, dos palácios e casas luxuosos. Houve todo um cuidado com a reconstrução da época nos cenários e no vestuário. O filme é um deleite para os olhos.

A dança, a música e o comportamento das pessoas procuram ser fiéis à época retratada. As mulheres no século XIX tinham um papel social mais passivo, principalmente de esposa e mãe. Olhando o filme superficialmente, as personagens femininas são frágeis, no máximo objeto de amor e paixão dos homens, mas elas também são retratadas como ativistas políticas ou sedutoras calculistas, e cada uma das personagem faz as sua própria escolha de vida.

Um filme envolvente

O Conde de Monte Cristo foi escrito originalmente para ser publicado em capítulos aos domingos, e todo romance do gênero precisa cativar e manter o interesse do leitor o tempo inteiro. A nova versão para o cinema consegue manter esta característica da obra, tanto que eu não se sente o tempo passar, as quase três horas do linga passam voando.

O filme tem ritmo, nunca se torna entediante. A trama é bem construída e verossímil. A história tem várias viradas, sempre provoca a espectativa pelo que está por vir.A fotografia, a cenografia e o vestuário contribuem para transportar o espectador para o séc XIX na França.

Todo o elenco está ótimo. Pierre Niney, o protagonista, consegue ir de um jovem simples, alegre e sonhador para um homem soturno e elegante. Os vilões não são caricatos, são pessoas elitistas, preconceituosas e sem escrúpulos que podemos encontrar ainda hoje, e a interpretação dos atores faz com que eles sejam ainda mais realistas.

A nova versão de O Conde de Monte Cristo para o cinema é divertida, emocionante e é uma boa oportunidade para conhecer melhor o clássico que inspirou tantas outras obras sobre a vingança.

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