Críticas
Crítica Supergirl
Milly Alcock consegue brilhar em um filme que não decola.
O filme “Supergirl” chega aos cinemas 1 ano depois do filme “Superman” chegar aos cinemas. O longa dirigido por Craig Gillespie fala da prima do Superman, Kara Zor-El. Ela saiu de Kripton pouco tempo depois de Karl-El. Os pais dos dois sobreviventes de krypton são irmãos e cientistas. O cachorrinho Kripto foi junto com Kara na nave que o pai dela, Zor-El, construiu em cima do mesmo plano de nave criada por seu irmão Jor-El enviar Karl-El para a Terra. A missão dela é proteger quem não não pode se defender.
A base da construção do filme é cima da revista em quadrinhos “Supergirl: A Mulher do Amanhã” ilustrada pela brasileira Bilquis Evely e escrita por Tom King, autor e escritor estadunidense que foi agente de contra-terrorismo da CIA.
Se for seguir a linha desse quadrinho, está ok, mas vale lembrar que a personagem da Supergirl muito fora do que é a personagem original. Isso também vale para o fofo Supercão.
Só para situar um pouco, a personagem apareceu pela primeira vez na revista em quadrinhos do Superman, Action Comics #252 de 1959. E a revista “A Mulher do Amanhã” foi lançada em junho de 2021. Com mudanças radicais na personagem.
Já que as mudanças estão feitas, vamos falar do que foi realizado nesse filme.
O filme apresenta uma narrativa em que a protagonista está mais presente, nas ações e na linha condutora da história. Nos quadrinhos quem conta a história é a jovem Ruthye. Nesse ponto a mudança foi inteligente. Faz mais sentido a história ser contada pela protagonista.
A escolha da atriz australiana Milly Alcook foi feliz porque a Kara rebelde pode mostrar a versatilidade da atriz que ficou conhecida na série “A Casa do Dragão” interpretando a jovem Rhaenyra Targaryen. Ela está longe de ser uma heróina bom exemplo. Vive bêbada, mora em sua nave que é um lixo, ou melhor dizendo uma lixeira, já que ela não limpa nunca o lugar e pelo grau de sujeira, agradecemos que o cinema não tem cheiro. Ela aparenta não ligar para nada, até que algo acontece e as coisas precisam mudar.
Durante a trajetória em que Kara protege uma jovem chamada Ruthye (Eve Ridley) que quer buscar vingança com um criminoso chamado Krem (Mathias Schoenaerts), o líder de um grupo fora da lei chamado de Bandoleiros, que matou sua família: mãe, pai e irmão. Inocentemente ela entra em um bar de foras da lei procurando alguém interessado em executar sua vingança em troca de seu maior tesouro, a espada de seu pai. Sem esperar que ela está se colocando em perigo ela se vê sozinha e quando menos espera, Kara, sem pensar muito protege a garota.
O detalhe é que ela está em um lugar com sol vermelho, onde ela não tem poderes, por isso ela fica bêbada, e ainda sim, é esperta e consegue ganhar do criminoso e acaba se tornando a protetora da jovem mesmo sem querer.
Temos a dupla de heroínas formada. Ao lado dos vilões temos o cruel Krem e o famoso Lobo (Jason Momoa), o anti-herói caçador de recompensas czarniano da DC Comics. Ele nunca esteve nos quadrinhos da Supergirl, mas James Gunn achou que seria uma boa ideia colocar o personagem no filme. Então, ele chamou Jason Momoa para dar vida ao personagem. Momoa foi uma boa escolha por tero tipo físico que ajuda a compor o personagem. Além disso, Momoa é um ator que se diverte com esses personagens e está bem nessa versão.
O elenco é bom, mas não é o suficiente para tornar o filme um grande espetáculo de super heróis.
O pecado está em deixar o filme como se fosse uma versão scrapbook para o cinema. Muitas referências cinematográficas e algumas vezes parece um “copia e cola”. O filme aparenta uma certa preguiça em criar algo novo.
Temos uma “Supergirl” com toques de “Mad Max: Estrada da Fúria”, “Star Wars”, “Star Trek” e muito “Guardiões da Galáxia”.
Em uma cena de ação, o cenário do vilarejo onde acontece o confronto entre vários personagens, é visivelmente o mesmo cenário de Lugar Nenhum, de “Guardiões da Galáxia”. Nenhum problema com referências e homenagens, mas existe um limite para o uso em um filme. Infelizmente a oportunidade de “Supergirl” ter uma identidade visual própria e se tornar uma referência futura, se perdeu por ter referências demais de outras obras cinematográficas. A estética do filme ficou comprometida e a sensação de ser apenas mais um filme com os mesmos recursos usados em vários outros filmes deixa a empolgação esfriar a medida que avança.
Os efeitos visuais são importantes em filmes espaciais. E nos quadrinhos é preciso criatividade para fazer cada efeito soar real, mesmo sendo em um universo imaginário. Nesse caso, como os parâmetros são as revistas em quadrinhos, o filme perdeu a oportunidade de ter destaque nesse quesito do filme. Uma pena que o CGI mais atrapalhou do que ajudou. Tem uma cena em que Supergirl está voando que ficou muito com cara de chroma ki.
A caracterização dos personagens é bem feita. O figurino criado pela dupla Anna B. Sheppard e Michael Mooney é interessante por aproveitar a oportunidade para dar uma identidade dos momentos diferentes da personagem ao longo do filme. Mesmo as roupas de Kara em seu modo bêbada, quanto sua roupa de Supergirl foi possível trabalhar a identidade com algo novo, já que a personagem mudou de figurino nos quadrinhos e na série da TV algumas vezes. Com isso, as possibilidades de criação de figurinos para um visual moderno da personagem são mais flexiveis e podem agradar a nova versão da heróina fora do padrão. O sobretudo que ela usa virou a marca da garota despojada. O que é bem positivo, já que o filme perdeu muitas oportunidades de criar um visual único. Nisso o filme acertou!
A maquiagem e cabelo criados pelo premiado Peter Swords King são um dos acertos do filme. Seria difícil Peter Swords King não acertar, já que fez um trabalho primoroso nos filmes das trilogias “Senhor dos Anéis” e “Hobbit”. Além de muitos outros filmes que precisam da maquiagem para funcionar.
A maquiagem do personagem Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts, transformou o ator em um personagem com a cara cheia de pontos metálicos.
Já o anti-herói Lobo segue o visual dos quadrinhos e ficou parecido com os quadrinhos. Jason Momoa já tem um visual que ajuda a compor o personagem. Restou para Peter se divertir ao transformar Momoa em Lobo.
O trabalho com Kara e Supergirl parece ser mais simples, mas na verdade é mais difícil, mesmo que seja menos trabalhoso que outras maquiagens. Para começar a personagem passa por vários momentos, e para cada um deles, um detelhe diferente trabalhando as sutilezas. Os cabelos sempre desarrumados como se a personagem não desse a menor importância para seu visual, dar um ar despojado e largado.
A caraterização de Ruthye lembra uma personagem saída do universo de Star Wars. Ela poderia sair tranquilamente do estúdio de “Supergirl” para outro de “Star Wars” que estaria perfeita.
O Supercão é fofo! Mas não é nada do supercão que conhecemos em quadrinhos, desenhos animados e séries. Ele é bagunceiro, nada disciplinado e não tem controle de sua super força, fazendo estrago por onde vai. Apesar disso, ele é o maior motivador para que Kara ajude Ruthye na busca do cruel Krem.
A trilha sonora de foi composta por Claudia Sarne, compositora da trilha sonora da série “Black Mirror” em um album com 19 faixas. A música principal “Supergirl Suite” tem um clima espacial e uma imponência que o filme pede. As faixas tem músicas que vão de Halsey, Blondie, Eagles Of Death Metal, Kiss e Modest Mouse, dão o clima rebelde de Kara. Já Rilo Kiley mostra um lado mais doce da adolescente kryptoniana.
Outro ponto importante no filme é que em determinado momento uma crítica sobre as mulheres serem sequestradas para servirem de procriadoras e como eles as sequestram, também denunciado de forma sutil. Não tem como não lembrar de “Mad Max: Estrada da Fúria” e o resgate lembra um pouco o que feito por James Gunn em “Guardiões da Galáxia 3”.
Quando Kara e Ruthye entram em um bar a música pára, todo mundo olha, e a cantora começa a cantar “Garota de Ipanema” na versão em inglês. A cantora dá a dica que tem duas garotas novas chegando. Um bar que lembra os bares de Star Wars em versão menor, mostra que o espaço é cheio de seres do submundo do crime.
Apesar do filme ser mais do mesmo, é possível assistir e embarcar na história se desligar dos erros do filme. Quem sabe no próximo filme da Supergirl, ela esteja mais heroína e menos rebelde sem causa.
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