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Cinema

Crítica: Wicked Parte II

Andrea Cursino

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Ao  aprofundar mais na história, “Wicked – Parte 2” ganha na emoção, mas perde ao deixar o filme um pouco cansativo.  

O musical da Brodway “Wicked” é um dos musicais de maior sucesso no mundo. E tem a duração de 2h45m com 15 minutos de intervalo. Para adaptar o musical para o cinema, a obra tem que estar completa e tem que caber na duração de cinema. A solução foi fazer Wicked – Parte 1 com 2h48m e Wicked Parte 2 com 2h18m.

A ansiedade dos fãs em saber como seria a conclusão do musical no cinema chega ao fim e é bom saber que “Wicked – Parte 2” conclui com competência um dos musicais mais queridos da Brodway.

O diretor John M Chu dirige a segunda parte da história da amizade entre a Bruxa Má do Oeste e a Bruxa Boa do Norte, Elphaba e Glinda. Posso dizer que a segunda parte é boa, vale a pena, mas não é tão empolgante quanto a primeira. As atrizes Cynthia Erivo e Ariana Grande estão melhores que na primeira parte. Provavelmente, à medida que foram passando mais tempo com as personagens e com a equipe, o entrosamento foi se fortalecendo. O que vemos é um resultado positivo mesmo com algumas falhas.

O roteiro não é perfeito, mas funciona. As falhas estão  nas conexões entre Wicked II e “O Mágico de Oz” de 1939.   

Apesar de Wicked parte 1 e Wicked Parte 2 terem sido filmadas juntos, a decisão de não cortar o musical em dois filmes foi acertada, mas indiscutivelmente as melhores cenas, músicas e números musicais estão na primeira parte.

Esse filme tem um foco mais em atuações, e os números musicais não tem a mesma força do primeiro.

É claro que a trilha sonora de Stephen Schwartz e John Powell é um dos pontos fortes do filme, afinal de contas é um musical. Stephen Schwartz criou as músicas do musical clássico e foram adaptadas para o filme com a colaboração de John Powell que também compôs canção inédita para competir em premiações de canção original. Muito compreensível, como um filme musical não vai competir na categoria Melhor Canção Original? Então, John Powell não poderia deixar essa oportunidade passar. Como trilha sonora não é apenas canção, a dupla de músicos caprichou e deixou o filme com a devida elegância que “Wicked” pedia. O resultado é que a canção não tem a força necessária para ganhar da canção queridinha de 2025, “Gloden” do filme “As Guerreiras do K-Pop”, mas tem muita água para passar embaixo dessa ponte, ou seja, tudo pode acontecer!

Já que falamos em trilha sonora e canção é hora de falar em coreografia. Os números musicais foram coreografados por Christopher Scott que já coreografou vários filmes e séries da Disney como: “Zombies”, “Lemonade Mouth”, “Boa Sorte, Charlie! É Natal”, “Teen Beach Movie”, além do programa “Dancing With The Stars” e o filme “Truque de Mestre 2º Ato”. Scott ficou com a responsabilidade de cuidar de uma das partes mais importante de qualquer musical, as danças.  Dependendo dos números eles viram referências históricas do gênero e inspiração para novos números coreográficos.

Em “Wicked – Parte 2” tem bons números, mas nada que vai entrar na galeria das coreografias memoráveis. A parte 1 tem números que estão marcados na cabeça e no coração dos fãs como a dança do baile, onde Glinda e Elphaba selam sua amizade com uma dança. Muito boa cena e essa é a melhor dança da primeira parte, ou,  na canção “Ódio” ou “What Is This Feeling?” a mais aguardada pelos fãs do musical.

A coreografias de Christopher Scott são boas, bem elaboradas, apesar  do número onde Glinda, Elphaba e o Mágico de Oz dançam, é uma boa coreografia, mas não chega a ter o impacto das coreografias da primeira parte.

O figurino continua lindo pelas mãos criativas e premiadas de Paul Tazewell. Ele ganhou o Oscar de Melhor Figurino 2025 justamente com “Wicked – Parte 1” então o figurino assinado por ele na parte 2 não seria diferente. Os figurinos ficaram mais elegantes e transmite a maturidade de cada personagem e até mesmo a falta dela. Principalmente os amadurecimentos de Elphaba e Glinda. O figurino de Elphaba é um espetáculo! Será que Paul  Tazewell será indicado novamente ? Tem chances.

A Edição Myron Kerstein e Tatiana S. Riegel é boa, mas perde um pouco o ritmo em relação a primeira parte.

O filme tem grandes possibilidades de indicações pelas atuações de Ariana Grande como Glinda e Cynthia Erivo como Elphaba que emocionaram o público em algumas cenas do filme. Posso dizer que Ariana Grande se superou com a Glinda que sabe de toda a farsa e como a amizade dela por Elphaba entra na fase de altos e baixos, mas o sentimento fraterno entre as duas se fortalece até mesmo quando brigam pelo amor de Fiyero (Jonathan Bailey). A transformação dos personagens em Leão, Homem de Lata e Espantalho é interessante, mas tem alguns problemas na construção da transição. Mesmo assim, temos um filme que encerra bem o que começou e com possibilidades de agradar seu público e conquistar novos admiradores de “Wicked”.

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