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Nona edição do Festival Santa Cruz de Cinema é aberta; programação segue até sexta (19)

Lucas Furtado

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Desde a noite de ontem (16) a cidade de Santa Cruz do Sul é palco da 9ª edição do Festival Santa Cruz de Cinema, que reúne cineastas de todo o Brasil no evento que é o maior festival de curtas-metragens do Rio Grande do Sul e um dos principais do Brasil. Além das exibições da mostra competitiva, que contempla 21 títulos, os participantes se reúnem em painéis, debates, rodadas de negócios, pitchings e homenagens a nomes marcantes do audiovisual brasileiro.

Abertura

O frio não foi capaz de espantar as mais de 600 pessoas que prestigiaram a primeira noite do festival no Auditório Central da UNISC. A expectativa dos organizadores é que o local receba mais de 2,5 mil pessoas durante as quatro noites de festival (três de exibição e a noite final de premiação). 

Durante a abertura, os apresentadores (o ator e empresário Rafael Tombini e a relações públicas Laura Nobre) salientaram que, para que uma história, longa ou curta, seja adaptada para o cinema, há de se valorizar o elo daqueles que fazem acontecer, como os técnicos e operadores de som, roteiristas, diretores, produtores e atores.

Presente na solenidade, o prefeito de Santa Cruz, Sérgio Moraes (PL), relembrou que durante a sua juventude, o acesso ao cinema era mais restrito: “Lembro que assistir a um filme, lá no interior onde eu morava, eram uns rolos de filme, e de vez em quando aquele negócio arrebentava, era em preto e branco. Mas aquilo foi o caminho obrigatório para que nós pudéssemos chegar onde estamos. Quero dizer pra vocês que continuem!” 

Rafael Henn, Reitor da UNISC, destacou o fato de o festival ter recebido a inscrição de mais de 1.200 filmes, de todo o Brasil. Enquanto Diego Tafarel, um dos organizadores do evento, ressaltou a presença expressiva do público e o trabalho de toda a equipe por trás do festival. “Nos enche de orgulho saber que temos mais de 600 pessoas assistindo curtas-metragens brasileiro, vendo a cultura brasileira nestas telas. Que a gente possa aproveitar muito esse festival de cinema, porque me faz muito feliz ver vocês por aqui.

Ao ser questionado sobre sua expectativa, o professor e doutor em comunicação, Leonel Aires, que é também um dos organizadores do festival, salientou a importância do evento para fomentar o gosto pelo audiovisual, sobretudo, pelo cinema, uma vez que a diversidade de temáticas e a pluralidade cultural visam garantir uma boa aceitabilidade do público, de modo geral. Paralelo a isto, a atriz em formação, Karoline Santos, destacou suas expectativas quanto à primeira noite de evento, afirmando seu interesse pela sétima arte, considerando que é uma manifestação que explora a criatividade de muitas formas. 

1a sessão com audiodescrição

Uma novidade voltada à ampliação do seu público é a primeira sessão com audiodescrição, que acontece nesta noite (17), durante a mostra competitiva nacional. O recurso permite que pessoas cegas ou com baixa visão acompanhem as exibições através da tradução, em palavras,  dos elementos visuais dos filmes, como cenários, personagens, expressões e movimentos. 

No acesso o público da audiodescrição recebe receptores com fones de ouvido para acompanhar as descrições, sem interferir na experiência dos demais espectadores. A audiodescrição ao vivo será realizada pelo audiodescritor santa-cruzense Fernando Pozzobon. A elaboração dos roteiros tem consultoria de Rafael Braz, profissional com deficiência visual, o que contribui para que as descrições sejam construídas a partir da experiência de quem utiliza o recurso.  

A acessibilidade faz parte da história do Festival Santa Cruz de Cinema desde sua primeira edição. Todas as cerimônias de abertura e encerramento, debates e atividades formativas contam com acompanhamento de intérpretes de Libras, garantindo a participação da comunidade surda. Assim como todos os filmes da mostra possuem legendas em português, ampliando o acesso de pessoas surdas e não ouvintes à programação. A interpretação em libras do evento será realizada pela empresa Viver Libras. 

Negócios

Pelo segundo ano consecutivo o Festival Santa Cruz de Cinema dedica parte de sua programação a debater temas do setor e trazer mais possibilidades aos realizadores audiovisuais locais através de encontros de mercado. A atividade é realizada em parceria com o Santa Cruz Polo Audiovisual, e traz como convidados profissionais que atuam em diversas áreas do setor e nos principais players do mercado.

Os encontros acontecem nos dias 18 e 19 de junho, na Sala de Conferências do Hotel Aquarius. No primeiro dia os temas em debate são: O Futuro Audiovisual Independente: arranjos regionais e lei do streaming; Onde o Audiovisual Independente  Encontra as Grandes Plataformas?; e Política e Relacionamento para Negócios no Audiovisual.

Entre os debatedores estão a deputada federal, arquiteta e urbanista, Denise Pessoa, a gerente executiva da Vitrine Filmes, Carla Domingues, o Adido audiovisual da França no Brasil, Nicolas Piccato, a  Secretária de Turismo de Santa Cruz do Sul, Jaqueline Marques de Souza, o Secretário de Cultura de Bagé e diretor artístico do Noronha2B e Festival da Fronteira, Zeca Brito, e a Diretora do IECINE RS, Sofia Ferreira.

Já no dia 19 acontecem os pitchings com oito projetos pré-inscritos: Lança filmes, Vento Leste,  Akom studio, Mamaliga films, Umbra Filmes, Bactéria Filmes, Sala Filmes e Osso do Peito Filmes. Eles serão avaliados por um júri composto por Leo Garcia, Roteirista e diretor-geral do FRAPA, Camila Agustini,  roteirista e consultora de roteiros  graduada pela EICTV (Cuba) e Roger Lerina, jornalista cultural, integrante da Abraccine, que seleciona o melhor pitching do 9º Festival Santa Cruz de Cinema. 

Na parte da tarde acontecem as Rodadas de Negócios, com projetos selecionados pelos players: Carla Domingues (Vitrine Filmes), Isabella Vidal (Gullane), Rodrigo M. Boecker (Glaz) e Cesar M. Ribeiro (Presidente do MIS-RJ).

Homenagens

Um momento tradicional do Festival Santa Cruz de Cinema são as homenagens. Na 9ª edição os escolhidos para receber o reconhecimento por suas carreiras e contribuições ao audiovisual são o  ator e diretor Reginaldo Faria, e recebendo o Troféu Tuio Becker, será da atriz Pilly Calvin. A entrega das honrarias acontece junto à cerimônia de premiação do festival, na noite de 19 de junho. Por questões de saúde, Reginaldo Faria será representado por Fernanda Etzberger, distribuidora do filme “Perto do Sol é mais Claro”, que tem o ator como protagonista.

Nas telonas, Reginaldo Faria foi o protagonista do clássico “O assalto ao trem pagador” (1962), em “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), e em “Pra Frente, Brasil” (1982), também se consagrou em novelas como Vale Tudo (vivendo Marco Aurélio na primeira versão) e clássicos como Tieta, O Clone e Vamp. São mais de sete décadas de uma carreira sólida no cinema, teatro e televisão.

Entre os trabalhos mais recentes está o projeto em família: “Perto do Sol é mais claro”, protagonizado pelo ator, escrito e dirigido por Régis Faria, seu filho mais velho, e coestrelado por Marcelo e Carlos André Faria, o filho do meio e o caçula, respectivamente. Está em cartaz nos cinemas brasileiros com a comédia “Velhos Bandidos”, e escalado para “Por você”, próxima novela das 19h da TV Globo”.

Já Pilly Calvin é dona de uma trajetória marcante nas artes cênicas e no audiovisual gaúcho. Construiu uma carreira pautada pela sensibilidade, pela dedicação e pelo compromisso com a cultura. Sua presença em inúmeros espetáculos, produções audiovisuais e projetos culturais ajudou a fortalecer a cena artística do Rio Grande do Sul e inspirou diferentes gerações. 

Ao longo de sua caminhada, tornou-se uma figura querida e respeitada por colegas, realizadores e pelo público, deixando sua marca em cada trabalho realizado e mesmo tendo morado em diversas cidades do Brasil e também Espanha (onde nasceu) adotou Santa Cruz do Sul como lar. 

Programação – 17 de Junho
Local: Auditório Central UNISC (Av. Independência, 2293 – bloco 24) 
19h – Segunda Sessão
Mostra Olhares Daqui
 –
A Salvadora das Florestas 
Mostra Nacional
Visagens e Visões (PA)
A Tempestade (RS)
VBP – Vacas Brancas Preguiçosas (SP)
BelaLX-404 (RJ)
Manoel e Betinha (RS)
Presépio (RJ)
21h – Debate com os realizadores

Local: Heilige Pocket
22h30 – Karaokê do Festival

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