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IC Play recebe novos títulos, incluindo a série bilíngue Crisalda e o longa Um é Pouco, Dois é Bom nesta sexta (26)

Lucas Furtado

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Nesta sexta (26), a Itaú Cultural Play, plataforma gratuita de streaming dedicada ao cinema brasileiro, recebe 12 novos títulos que realçam a pluralidade de histórias e a delicadeza do audiovisual produzido no país. Um deles, pouco conhecido pelo grande público, é o longa-metragem Um é pouco, dois é bom (RS, 1970), realizado pelo cineasta Odilon Lopez (1941-2002). Reconhecido como o primeiro a retratar o universo urbano de Porto Alegre, o filme foi restaurado digitalmente em 4K em um esforço coletivo que contou com apoio do Itaú Cultural.

Ainda, em comemoração ao Setembro Azul – mês que visa conscientizar a população sobre os direitos da comunidade surda e celebrar esta cultura –, a IC Play também disponibiliza as duas temporadas de Crisálida, primeira série de ficção bilíngue de português e Libras. Os outros dez novos títulos que entram no catálogo da plataforma compõem a Mostra Fest Aruanda, uma janela especial de curtas-metragens selecionada pelos organizadores da 19ª edição do Festival Aruanda do Audiovisual Internacional da Paraíba, um dos principais eventos de cinema do país.

Longa-metragem

Realizado em 1970 por Odilon Lopez, cineasta que fez parte de uma das primeiras gerações de diretores negros do cinema brasileiro, o longa-metragem Um é pouco, dois é bom é considerado o primeiro a focar nas histórias urbanas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, quando a maior parte da produção local se dedicava ao contexto rural e histórico. Apesar disso, acabou se tornando uma obra rara e pouco conhecida.

Um é pouco, dois é bom chega ao catálogo da IC Play restaurado em 4K, processo que foi resultado de uma parceria entre Cinemateca Capitólio, a plataforma INDETERMINAÇÕES e Mnemosine Serviços Audiovisuais, com incentivo da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Porto Alegre e apoio do Itaú Cultural. O processo de restauro foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, no Laboratório Mapa Filmes do Brasil/Link Digital.

O filme é um drama dividido em duas narrativas, ambientadas na capital gaúcha na década de 1970. A primeira conta a história de um casal tranquilo e animado em construir uma família, até que algo sai fora do esperado. Na segunda, dois malandros que acabaram de sair da cadeia voltam a bater carteiras no centro de Porto Alegre. Odilon Lopez trabalhou na Atlântida, na BBC, acompanhou os últimos dias do Jango antes do golpe, cobriu lutas políticas na Bolívia e terminou a carreira fazendo obras experimentais.

Encontre mais informações sobre Odilon, em verbete na Enciclopédia Itaú Cultural: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/40443-odilon-lopez.

Série bilíngue

Em comemoração ao mês cultura surda, a Itaú Cultural Play exibe a série brasileira Crisálida (2019), escrita por Alessandra da Rosa Pinho e dirigida por Serginho Melo. Em duas temporadas, o seriado retrata as experiências familiares, sociais e psicológicas de jovens surdos em sua vida cotidiana, sem didatismo ou caráter assistencialista.

O elenco reúne atores surdos e ouvintes que interagem entre si em enredos que transitam pelo drama, a comédia e o thriller, evidenciando a língua de sinais como agente transformador. As duas temporadas de Crisálida estão disponíveis na IC Play com Libras, legendas e audiodescrição.

A Itaú Cultural Play mantém em seu catálogo outros filmes com recursos de acessibilidade, tanto produções terceiras quanto próprias.

A mostra

Dez curtas-metragens, selecionados especialmente pelos curadores da 19ª edição do Festival Aruanda do Audiovisual Internacional da Paraíba para a IC Play, compõem a Mostra Fest Aruanda e também estreiam nesse dia 26. Os filmes foram apresentados neste evento que joga luz em novas safras de produção no cinema nacional e internacional. Produzidos entre 2023 e 2024 na Paraíba, eles apresentam uma variedade de gêneros e estéticas, que convergem entre si ao tratar de temas sensíveis das realidades brasileiras, como a transfobia, o sincretismo religioso e o luto.

Da safra de 2023, tem o documentário Areia, memória e cinema, da diretora Letícia Damasceno, que embarca em uma jornada pessoal mesclada com a história do cinema da cidade de Areia e as memórias de seu avô, Gutemberg Barreto, primeiro projetista do Cine Teatro Minerva. A procura é tema central em Salvatério, filme de Dani L cuja história acompanha a imersão de um casal pelas crendices populares na busca de um antídoto para sua filha única, até encontrar um método nada convencional e chocante.

Entre as produções de 2024 está o drama ficcional Breu. Com direção de Joilson Custódio, o filme relata como as rusgas do passado de três homens podem transformar a busca de algo valioso em uma tragédia. Outra jornada – a de trabalho – é acompanhada no documentário Serão. Dirigido por Caio Bernardo, o filme retrata a rotina de uma família do Cariri paraibano que vive entre a tradicional extração de cal e o sonho do empreendedorismo oferecido pela indústria têxtil.

Seguindo pelas realizações do ano passado, na animação A menina da serra, dirigida por Cleyson Gomes, a garota Edinete encontra alegria nas pequenas coisas, apesar dos desafios da vida campestre. Certo dia, uma dessas coisas a leva para um lugar totalmente novo. No caminho inverso, em Marilak, filme de Carlos Mosca, o personagem principal Seu Olimpo do Rosário se vê obrigado a retornar para casa e enfrentar seus traumas, após a falência de seu circo. Por sua vez, no drama Rita não anda só, de Ary Régis Lima, Rita sofre um episódio de transfobia no primeiro aniversário de seu nome social. A cura da violência sofrida revela a linha tênue entre ódio e desejo, além de demonstrar a inevitabilidade da justiça espiritual.

Em Concha, de Patrícia de Aquino, um casal esperou 45 anos para se reencontrar e continuar a sua história de amor, pois o tempo não espera ninguém. Já em Suspiro, de Nill Marcondes, o luto de uma família revela a profunda conexão entre vida e morte.

Encerra a mostra o curta-metragem experimental O sonho de Anu (2024), de Vanessa Kypá. No filme, a jovem Anu, originária do continente africano, refaz os passos de seus ancestrais pelo território paraibano, questionando a história oficial do Brasil ensinada nas escolas.  

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