Cinema
Hellboy e o Homem Torto Tem História Esporádica com Roteiro Fraco
A quarta adaptação cinematográfica do icônico personagem dos quadrinhos criado por Mike Mignola – Hellboy e o Homem Torto – chega aos cinemas trazendo uma nova proposta. O longa conta uma história episódica, na qual o personagem já está estabelecido, dispensando explicações sobre suas origens. Diálogos breves no início situam o espectador, explicando a situação na qual os personagens se encontram. Embora não haja evidências claras, é plausível que esse episódio faça parte do universo dos filmes anteriores do herói, pois se passa em 1959, mesmo período da cronologia dessas produções.
O diretor Brian Taylor (responsável pelo ótimo Adrenalina e pelo péssimo Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança) faz o possível com o evidente baixo orçamento do filme. Ele recorre ao uso de cenas escuras e desfocadas para ocultar falhas da produção.

Diferente das outras adaptações de Hellboy, esta tenta ser um genuíno filme de terror, mas acaba tropeçando devido aos inúmeros problemas no roteiro. Esse talvez seja o grande defeito da obra: a trama não decola em nenhum momento e existe uma falta de foco nos personagens. O próprio Hellboy (Jack Kesy) parece ser o coadjuvante da história, surgindo desfocado no canto da tela em diversas cenas, e com pouquíssimas e pobres falas. A sidekick deste filme – Bobbie Jo Song (Adeline Rudolph) – tem uma função narrativa limitada, servindo apenas para tentar desenvolver um romance com Hellboy, o que não se concretiza. O protagonismo acaba ficando com Tom Ferrell (Jefferson White), porém o ator não consegue sustentar o papel, o que contribui para o esvaziamento da história.
Hellboy e o Homem Torto não chega aos pés das adaptações do personagem dirigidas pelo cineasta Guillermo del Toro por diversas e óbvias razões. No entanto, consegue ser mais interessante do que o reboot de 2019, ao menos por apresentar uma linha narrativa coerente, além de funcionar como uma história episódica, daquelas que poderiam ter sido publicadas em uma edição qualquer do herói, em que o autor estivesse com pouca inspiração.
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